A viagem real do capitão Kirk

Washington – O ator William Shatner, de 90 anos, se tornou o homem mais velho a viajar para o espaço. Ele é conhecido pelo papel de Capitão Kirk, comandante da nave Enterprise, que viaja pelo universo na célebre série de ficção científica “Jornada nas estrelas” (“Star trek”), produzida nos anos 1960 nos Estados Unidos e exibida nas TVs brasileiras até o início dos anos 2000, e que também rendeu sete longa-metragens. Ele superou Wally Funk, de 82 anos, que esteve no primeiro voo, feito pelo bilionário empresário Jeff Bezos, há três meses.
Shatner e outros três civis fizeram um passeio suborbital de 10 minutos num foguete de 18 metros de altura da base da cidade de Van Horn, no Texas, em mais um teste da empresa de turismo espacial Blue Origin, que levou Bezos ao espaço. A Blue Origin, que pertence a Bezos, compete com outras empresas apoiadas por bilionários – a SpaceX, de Elon Musk, e Virgin Galactic Holdings, de Richard Branson – para atrair clientes dispostos a pagar fortunas para ir ao espaço.
“Vou ver a imensidão do espaço e o milagre extraordinário de nossa Terra e como ela é frágil em comparação com as forças em ação no universo. Estou emocionado e ansioso, um pouco nervoso e um pouco assustado com toda essa nova aventura”,  disse William Shatner ao programa “Today”, da NBC, horas antes do voo. Em suas redes sociais, ele brincou: “Estou pensando. Vou subir em um foguete e o nosso melhor palpite é que deve dar certo? Eu estou aterrorizado. Eu sou o Capitão Kirk e estou aterrorizado”.
Os tripulantes fizeram um voo suborbital, como o que Bezos fez há três meses. Esse tipo de voo é diferente do promovido pela SpaceX, que manteve turistas na órbita terrestre por três dias. Shatner e os outros companheiros ultrapassaram a chamada linha de Kármán, que fica 100 quilômetros acima do nível do mar. O limite é considerado para definir o início do espaço, mas a Nasa e o Exército dos EUA entendem que que a barreira já é superada em altitude de 80 quilôme- tros.
Após o lançamento, o foguete se separou da cápsula, onde ficam os passageiros, e retornou ao solo de forma autônoma. A cápsula também não precisa de piloto e termina o voo com ajuda de paraquedas. Os passageiros têm a sensação de gravidade zero durante 4 minutos. Durante a viagem, eles puderam contemplar a curvatura da Terra. 
Já de volta à Terra, o ator disse a Bezos: “Eu espero nunca me recuperar disso. É muito maior do que eu e do que a vida. O que você proporcionou para mim foi a mais importante e profunda experiência”. Bezos deu uma insígnia da viagem a Shatner. Os outros três tripulantes foram Audrey Powers, vice-presidente de Missão e Operações da Blue Origin; Chris Boshuizen, cofundador da empresa de satélites Planet Labs; e Glen de Vries, cofundador da empresa de software Medidata. “Estou muito orgulhosa e honrada de voar em nome do time da Blue, e estou animada para continuar a escrever a história dos voos espaciais da Blue. Como engenheira e advogada, com mais de duas décadas de experiência na indústria aeroespacial, tenho grande confiança em nossa equipe New Shepard e no veículo que desenvolvemos”, disse Powers.
Boshuizen comentou: “É a realização do meu maior sonho de infância. Mais importante, porém, vejo este voo como uma oportunidade para inspirar estudantes a seguirem carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, e catalisar a próxima geração de exploradores espaciais”. Já Glen Vries disse: “Eu sou apaixonado por aviação e espaço desde que me lembro, então este voo é realmente um sonho que se tornou realidade”.
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