AIEA alcança acordo com o Irã sobre monitoramento nuclear para ‘dar tempo à diplomacia’

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo diretor-geral Rafael Grossi viajou a Teerã, anunciou, neste domingo (12), que chegou a um acordo com o Irã a respeito dos equipamentos de monitoramento de seu programa nuclear, poucos dias depois de denunciar a falta de cooperação das autoridades iranianas.

“O problema mais urgente foi resolvido”, garantiu um satisfeito Rossi, que comanda a agência da ONU, após voltar a Viena.

Rossi destacou que o acordo alcançado servirá para “dar tempo à diplomacia”.

Grossi viajou à capital iraniana para tentar apaziguar as tensões entre Ocidente e Irã, dias após a agência acusar Teerã de “obstruir seriamente” as atividades de supervisão.

O chefe da agência da ONU se reuniu com o diretor da organização de energia atômica local e vice-presidente do Irã, Mohamad Eslami.

“Os inspetores da AIEA têm autorização para intervir, a fim de manter o equipamento e substituir os discos rígidos” das câmeras instaladas nas infraestruturas iranianas, disse o órgão da ONU em um comunicado conjunto com a Organização Iraniana de Energia Atômica.

“Dentro de alguns dias” os investigadores da AIEA poderão ter acesso ao material de monitoramento dos distintos recintos iranianos e garantir que funciona corretamente, após vários meses de incertezas.

Em sua segunda visita ao Irã este ano, Grossi garantiu com este novo compromisso a continuidade da vigilância e controle do programa nuclear iraniano, e também oferece um prazo maior às grandes potências que tentam reanimar o acordo alcançado em Viena em 2015.

“As conversas foram francas” e “a comunicação foi restabelecida”, afirmou o diretor da AIEA.

– “Vigilância obstruída” –

O Irã restringiu o acesso dos inspetores da AIEA a algumas de suas instalações nucleares desde fevereiro passado e se recusou a fornecer imagens em tempo real de câmeras e dados de outras ferramentas de vigilância que a agência da ONU havia instalado lá.

Um acordo que garantiu algum grau de supervisão foi negociado, mas expirou em junho, e a AIEA estava preocupada em perder dados se a capacidade de registro dessas ferramentas fosse saturada.

“Desde fevereiro de 2021, as atividades de verificação e vigilância foram seriamente prejudicadas pela decisão do Irã” de restringir as inspeções, denunciou a AIEA na terça-feira em um relatório consultado pela AFP.

Sob este novo acordo, a AIEA ainda não terá acesso aos dados da câmera, mas o Irã se comprometeu em fevereiro a fornecê-los se as negociações para salvar o acordo de Viena fossem bem-sucedidas.

Citado pela agência oficial Irna, Eslami saudou “negociações boas e construtivas com o Sr. Grossi”.

“Ficou decidido que os especialistas da Agência virão ao Irã para substituir os cartões de memória das câmeras técnicas de vigilância”, apontou. “Eles permanecerão selados no Irã e novos cartões serão instalados”.

A Rússia elogiou a reaproximação deste domingo entre a AIEA e o Irã.

“Nos parabenizamos pelos resultados da visita de Grossi a Teerã. Pedimos que as negociações em Viena sejam retomadas o mais rápido possível”, declarou o embaixador russo na capital austríaca, Mikhail Ulyanov, no Twitter.

O diplomata da União Europeia encarregado de acompanhar as negociações em Viena, Enrique Mora, também comemorou “esta etapa positiva” e pediu a retomada das conversas “o mais rápido possível”.

– Transparência –

A visita ocorre antes de uma reunião, a ser realizada a partir de segunda-feira (13), do Conselho de Governadores da Agência, da qual o Irã “decidiu participar” para “continuar nossas conversas”, anunciou Eslami.

A questão das câmeras de vigilância da AIEA faz parte de negociações mais amplas para tentar salvar o acordo concluído em Viena em 2015 e que foi suspenso em 2018 com a saída unilateral dos Estados Unidos.

O acordo oferece a Teerã um alívio das sanções do Ocidente e da ONU em troca do compromisso de nunca se munir de armas atômicas e de reduzir drasticamente seu programa nuclear, sob estrito controle das Nações Unidas.

As negociações iniciadas em abril para tentar ressuscitar o acordo por meio da reintegração de Washington estão suspensas desde 20 de junho, dois dias após a vitória presidencial do ultraconservador Ebrahim Raïssi.

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