Alta do dólar e instabilidade política, economista lista causas da inflação

João Gondim explicou relação entre a moeda estrangeira e o mercado interno. Discursos antidemocráticos do presidente supervalorizam câmbio

Economistas mostram relação entre dólar e mercado interno. | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A inflação de agosto foi a maior registrada para o mês nos últimos 21 anos. A variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi influenciada pelas altas no transporte, na alimentação, nas bebidas e na habitação. No entanto, economistas apontam uma causa comum para subida de valores de produtos e serviços: instabilidade política.

As ameaças às instituições nacionais, feitas pelo presidente da república, nos últimos meses, influenciou diretamente o mercado interno brasileiro. O principal fator é o preço do dólar. A moeda estrangeira está valorizada, o que favorece a exportação e retira o produto de dentro de país.

O economista João Gondim explicou a relação da moeda estrangeira com o mercado interno. “O principal componente da alta da inflação hoje é o dólar. Os produtos que o Brasil exporta, óleo de soja, arroz, feijão, carne, gasolina, são os mesmos consumidos pelo brasileiro. A partir do momento em que produtor vê oportunidade de exportar e ganhar mais, o mercado interno fica prejudicado”, apontou o especialista.

A consequência dessa exportação é o aumento do preço no mercado interno, que precisa concorrer diretamente com estrangeiros. Com isso, a tendência é que produtos e serviços continuem com valores elevados no Brasil.

Instabilidade política

O aumento do dólar não é ocasional. Para o economista, a instabilidade política no Brasil inflaciona a moeda estrangeira. “O dólar é profundamente impactado pela confiança das pessoas. O investidor pode escolher colocar seu dinheiro em um lugar estável, que renda menos, ou em um lugar onde o presidente anuncia ruptura constitucional”, analisou João Gondim.

As ameaças de Bolsonaro nos últimos meses prejudicam a visibilidade nacional. Com isso, investidores retiram dólar do mercado interno, o que eleva o câmbio. Na última quinta-feira (9), o presidente divulgou uma carta de retratação. Mesmo assim, João Gondim não crê em melhora na confiança dos investidores. “Enquanto não houver estabilidade política, não vai ter redução do câmbio”, apontou o economista.

Outra saída para derrubar a inflação no Brasil, apontada pelo especialista, é a elevação das taxas de juros. A medida aumentaria o rendimento do dinheiro aplicado no Brasil e poderia atrair investidores, apesar do risco político. No entanto consequência negativas atingiriam o mercado interno.

Se a taxa Selic, a básica de juros, fosse elevada, outras a acompanhariam. Apesar de ser atrativo para o investidor, a economia interna esfriaria. “Segura a inflação porque atrai capital estrangeiro. Por outro lado, reduz o consumo, o crédito fica mais caro. Empresas deixam de pegar empréstimos, e pessoas passam a poupar mais”, apontou João Gondim.

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