Animais nativos de Brumadinho são vistos retornando para seus habitats

Joe McDonald/Getty Images

Joe McDonald/Getty Images

Imagens foram captadas por 50 dispositivos instalados pela mineradora Vale ao longo da região afetada pelo rompimento em 2019

Quase dois anos e sete meses depois do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, os animais nativos estão sendo avistados retornando para seus habitats originais. A informação foi confirmada pelo registro de 50 dispositivos instalados na área pela mineradora Vale. Segundo as imagens captadas, jaguatiricas, tamanduás-bandeiras, pacas, tucanos e uma onça-parda foram vistos transitando novamente pela região.

O analista ambiental da companhia, Gustav Specht, explica que a presença de animais de diferentes níveis da cadeia alimentar é um indicativo do retorno de alguns serviços ecológicos sistêmicos, como a polinização, a fertilização do solo e a dispersão de sementes. “Com o passar do tempo essas áreas formam uma espécie de corredor verde e ampliam as áreas florestadas que abrigam todo tipo de animal de Brumadinho e região”, afirma.

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Na época do rompimento, cerca de 12 milhões de metros cúbicos de lama percorreram um trajeto de 294 hectares, sendo quase metade de área florestal. Até agora, 12 desses hectares já foram reflorestados, sendo que a previsão para a finalização do processo é de dez anos.

A ação de reflorestamento está sendo conduzida em parceria com a UFV (Universidade Federal de Viçosa ) através de uma tecnologia inédita que acelera o estágio de floração das árvores para até seis meses utilizando o DNA das espécies nativas. Sem a inovação, o tempo normal para que as plantas alcançassem esse estágio de desenvolvimento era de oito anos.

De acordo com cientistas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o reflorestamento possibilita a redução do efeito estufa na região através da captação de CO2 feita pela vegetação local. Outra vantagem é o estímulo a polinização, que através da interação entre animais e plantas promove a dispersão de sementes, contribuindo para a manutenção da biodiversidade.

“Em uma floresta é importante que os animais considerados como polinizadores mantenham interação com a flora, levando os grãos de pólen de uma flor à outra, possibilitando o desenvolvimento de frutos. Existem também espécies de animais que atuam como dispersores de sementes, pois quando consomem um fruto acabam transportando o material para outros locais. Tanto os polinizadores quanto os dispersores contribuem para o processo de recuperação das áreas degradadas”, ressalta Adriano Paglia, ecólogo e professor da UFMG.

Recentemente, resultados positivos também foram alcançados em relação às espécies aquáticas da Bacia do Rio Doce. Um projeto piloto de renaturalização desenvolvido pela Fundação Renova conseguiu aumentar o recrutamento de peixes na região em até 38%. A iniciativa acabou ganhando o 2º lugar na premiação BRICS Solutions for SDGs Awards 2021, que reconhece esforços do bloco econômico em alcançar os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas). Os levantamentos indicaram que houve uma melhora de 46% na heterogeneidade do substrato e no restabelecimento da cadeia alimentar da bacia, dados que, segundo os especialistas, indicam condições para que o rio retorne às suas condições naturais.


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