Apostando na produção de macaxeira, indígenas montam casas de farinha em aldeia no AC


Associação Agroextrativista Poyanawa do Barão e Ipiranga (AAPBI) diz que são produzidas cerca de 400 toneladas de farinha por ano. Povo Pyuanawa, no interior do Acre, é conhecido pela produção de mandioca
Sérgio Vale/Secom-AC/Arquivo
Um dos povos mais atingidos com o crescimento das atividades extrativista no século 20, os Puyanawas resolveram apostar na produção agrícola, além de outras atividades, para reverter o cenário dentro das aldeias de Mâncio Lima, no interior do Acre.
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Ainda em 1988, foi criada à Associação Agroextrativista Poyanawa do Barão e Ipiranga (AAPBI) com o objetivo de garantir à comunidade acesso a benefícios por meio de projetos com financiamento externo. Atualmente, tem se destacado pela produção de macaxeira e sacas de farinha. A terra indígena tem quase 25 mil hectares na região do Juruá.
Casas de Farinha funciona dentro de aldeia no Acre
Billy Fequis/Arquivo pessoal
Além disso, os indígenas têm procurado recuperar áreas desmatadas. “Nosso foco é na agricultura da macaxeira, além de outros projetos ligados ao ecoturismo e hoje a comunidade tem um valor por conta da organização social que conseguimos manter. Nessa produção de macaxeira, toda a comunidade participa, menos os idosos e crianças. Temos 14 casas de farinha dentro da comunidade, ainda não estamos dentro dos parâmetros da Vigilância, mas estamos nos adequando”, diz o líder indígena Puwe Puyanawa.
Já as áreas degradadas eles estão reutilizando e preservando a floresta, fazendo reflorestamento de frutas e madeira de lei, segundo o líder.
Festival Atsa ocorre anualmente em alideia no interior do Acre
Jhonata Fabrício/Rede Amazônica Acre/Arquivo
A associação diz que são cerca de 700 indígenas dentro da comunidade indígena. O trabalho, desde a plantação, colheita e produção da farinha, é coletivo e envolve todos – exceto idosos e crianças. E eles vendem as sacas para atravessadores que compram direto na aldeia.
“O trabalho é feito pela organização e repassado para as famílias que se organizam da melhor maneira possível. O trabalho todo é coletivo, mas na distribuição cada família fica com sua parte plantada. A mandioca plantada aqui fica na aldeia, mas também vendemos para fora a farinha já pronta. Produzimos hoje cerca de 400 a 500 toneladas ao ano”, finaliza.
A Terra Indígena Puyanawa é formada pelas aldeias Barão e Ipiranga, onde vivem 648 habitantes. A mandioca é o alimento mais cultivado pelas famílias, que chegam a produzir 500 toneladas da raiz por ano. Além de ser matéria-prima para a produção de farinha, representa a base da alimentação dos Puyanawa, estando presente nas refeições diárias.
Eles são conhecidos também pelo Festival ATSA, que em português significa macaxeira, e que reúne milhares de turistas na região.
Em julho deste ano, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, esteve conversando com lideranças indígenas da Aldeia Puyanawa e ouviu relatos de como a comunidade opera para fazer uma agricultura orgânica sem queimar e nem utilizar defensivos químicos.
Gustavo Montezano, presidente do BNDES esteve na aldeia em julho deste ano
Júnior Aguiar/Secom-AC
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