Áreas de exploração de petróleo perto de santuários ecológicos ficam sem comprador em leilão

Os blocos de petróleo estão na região que envolve o arquipélago de Fernando de Noronha e a reserva biológica Atol das Rocas, declarados Patrimônio Natural Mundial pela Unesco. Áreas de exploração de petróleo perto de santuários ecológicos ficam sem comprador em leilão
Investidores não se interessaram pelo leilão de áreas de exploração de petróleo perto do arquipélago de Fernando de Noronha.
Movimentos ambientalistas protestaram contra a exploração de petróleo na chamada Bacia Potiguar. A região envolve o arquipélago de Fernando de Noronha e a reserva biológica Atol das Rocas, declarados Patrimônio Natural Mundial pela Unesco.
Dos 92 blocos oferecidos no leilão, 14 estavam em áreas relativamente próximas a esses santuários ecológicos. A Agência Nacional do Petróleo alegou que os impactos e riscos à vida marinha seriam avaliados depois, durante o processo de licenciamento ambiental. Mas, no fim, ninguém apresentou ofertas pelos blocos da Bacia Potiguar.
“Pensa que são investimentos muito longevos. A partir do momento que ele compra uma área, o primeiro óleo vai levar sete anos para emergir. Então, é um investimento muito grande, de muitos milhões de dólares até, para que você tenha o risco de não conseguir um licenciamento ambiental, que é o histórico que a gente observou nas últimas rodadas”, explica Fernanda Delgado, pesquisadora da FGV.
Esse foi o leilão da ANP que atraiu menos interesse dos investidores em mais de 20 anos. Quase 95% dos blocos não receberam lances das nove empresas que participaram da disputa.
Os cinco blocos arrematados, todos na Bacia de Santos, arrecadaram R$ 37 milhões. Em valores corrigidos, é o pior resultado registrado até hoje num leilão.
Mesmo assim, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo disse que ‘foi um sucesso’ e afirmou que muitas áreas oferecidas nesta quinta representam um desafio para os investidores.
“Essas são áreas que são novas fronteiras e, portanto, implicam em um risco exploratório elevado, e as empresas estão se refazendo agora de um período muito difícil, estão muito seletivas nos seus investimentos. Então acreditamos que isso possa ter impactado nesse interesse”, diz Rodolfo Saboia.
Já o ambientalista Moacyr Cunha considerou o resultado uma vitória para a preservação da vida marinha.
“Fazer qualquer coisa naquela região significa colocar em risco um patrimônio da humanidade. Um patrimônio do planeta Terra”, afirma.
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