Arquidiocese do Rio pretende abrir representação criminal por atos de hostilidade contra padre no Cristo Redentor


Neste sábado (11), o reitor do Santuário padre Omar Raposo, foi impedido de celebrar um batizado na capela do Cristo. Ele foi barrado por seguranças do ICMBio e anunciou que vai ao Vaticano discutir os recentes episódios contra ele. Padre Omar, reitor do Cristo Redentor, foi barrado por seguranças do ICMBio
A direção jurídica da Arquidiocese do Rio de Janeiro disse ao RJ2 que entrará com uma representação criminal contra os episódios que envolveram o padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor no acesso à capela que fica aos pés da estátua no Parque Nacional da Tijuca.
Na manhã deste sábado (11), Padre Omar iria celebrar um batizado no local, mas sua comitiva foi impedida de subir sob a alegação de que “não estava autorizada”.
O Santuário contestou e afirmou que o evento foi previamente comunicado ao parque.
“A Arquidiocese vai ter que tomar medidas, através de uma representação criminal, justamente para evitar que outros fatos típicos como esse que a gente presenciou hoje, um crime, se repita, disse Claudia Milione, diretora jurídica.
O Padre Omar informou que embarca neste domingo (12) para Roma onde vai discutir os recentes atos de hostilidade com o Vaticano.
Outros registros
Essa não foi a primeira vez que ele foi barrado no local pelos seguranças do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), de acordo com o Santuário. Padre Omar divulgou um vídeo, gravado há oito dias, que mostra o momento em que foi impedido de chegar a uma celebração no Cristo.
Nas imagens, o próprio reitor relata que o portão está trancado e que a passagem está sendo negada pelos guardas.
Padre Omar também disse que começa neste sábado uma vigília para ocupar o santuário. A proposta é que diferentes comunidades católicas participem das vigílias até o aniversário de 90 anos Cristo Redentor, no dia 12 de outubro.
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Padre Omar, o reitor da estátua do Cristo Redentor
Divulgação / Shalom RJ
Entenda o caso
O platô onde fica a estátua do Cristo, no topo do Corcovado, pertence à igreja católica, que administra e conserva o cartão-postal.
Todo o entorno, no entanto, é gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A autarquia também controla as lojas do complexo — hoje fechadas — e todos os acessos de veículos na Floresta da Tijuca. Há anos, a igreja católica, os lojistas e o Ministério do Meio Ambiente disputam o controle dos pontos de comércio no Cristo Redentor.
Nota de repúdio
Mais cedo, o Santuário do Cristo Redentor divulgou uma nota de repúdio contra o ICMBio (veja íntegra no final da reportagem).
A nota cita a ocorrência deste sábado e outros “atos hostis”.
“Nos últimos meses, a postura dos seguranças do Parque Nacional da Tijuca tem sido hostil em relação ao reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, e aos funcionários do Santuário”, diz um dos trechos da nota.
Em outro ponto, o Santuário faz relatos sobre outros eventos.
“De maneira recorrente, Padre Omar, bispos e outros religiosos, juntamente com fiéis e convidados da Igreja que participam das missas, casamentos, batizados e ações culturais promovidas pelo Santuário, passam por constrangimentos ao acessar o Santuário”, detalhou.
O que diz o ICMBio
Na tarde deste sábado, o Instituto Chico Mendes divulgou uma nota sobre o relato do Padre Omar com relação ao batizado: “por questões de segurança dos frequentadores e conservação ambiental de alguns Parques Nacionais, todos os veículos que acessam as áreas restritas precisam se identificar.
Ainda segundo o ICMBIO, “eventualmente, essa checagem pode levar um pouco mais de tempo, devido a quantidade de frequentadores em eventos e nos finais de semana.”
Guarita no acesso à Estrada das Paineiras, que leva ao Santuário Cristo Redentor
Reprodução/Google StreetView
Outros episódios
Os incidentes, segundo o Santuário, ocorrem no entroncamento da Rua Almirante Alexandrino com Estrada das Paineiras. Lá fica uma guarita da segurança patrimonial do Parque Nacional da Tijuca, gerido pelo ICMBio.
No dia 3, convidados da Arquidiocese do Rio de Janeiro não puderam chegar para uma celebração litúrgica. “Após a oração, seria oferecido café da manhã gratuitamente aos convidados. O Parque Nacional da Tijuca também vetou o acesso de água aos convidados”, afirma a nota.
No dia 2 de setembro, os funcionários da empresa terceirizada que faz a gestão da iluminação do Cristo Redentor, que possuem veículos autorizados para o trabalho, também foram barrados. “Eles estavam subindo para iluminar o monumento na cor verde em uma ação para a doação de órgãos”, detalha o texto.
“Da mesma forma, os veículos da Secretaria de Estado de Saúde, cujas informações de placa, modelo e cor já tinham sido enviadas ao Parque Nacional da Tijuca, também foram barrados na guarita”, destaca.
Leia a íntegra da nota divulgada pelo Santuário Cristo Redentor
O Santuário Cristo Redentor repudia os atos hostis do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia em regime especial, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, contra a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.
De maneira recorrente, o reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, bispos e outros religiosos do Rio de Janeiro, juntamente com fiéis e convidados da Igreja que participam das
missas, casamentos, batizados e ações culturais promovidas pelo Santuário Cristo Redentor, passam por constrangimentos para acessarem o Santuário. Os gestores do Parque Nacional da Tijuca inviabilizam a servidão de passagem, entre outras ações vilipendiosas.
Hoje, mais uma vez, Padre Omar e os fieis foram impedidos de acessar o Santuário Cristo Redentor quando estavam a caminho de um batizado, marcado às 7h30. O sacerdote, a criança e familiares
foram travados na guarita localizada na Estrada das Paineiras, que dá acesso ao Santuário.
Após ficarmos, no ano de 2019, vários meses sem funcionamento das escadas rolantes e elevadores na região do Alto Corcovado, obrigando idosos e pessoas com deficiência a passar inúmeras dificuldades e constrangimentos, mais uma vez ficamos à mercê do ICMBio, a partir dos funcionários do Parque Nacional da Tijuca.
No dia 3 de setembro, fomos mais uma vez constrangidos e numa celebração litúrgica onde os convidados da Arquidiocese do Rio de Janeiro não puderam chegar ao Santuário Cristo Redentor. Após a oração, seria oferecido café da manhã gratuitamente aos convidados. O Parque Nacional da Tijuca também vetou o acesso de água aos convidados, violando o direito fundamental à saúde e ao bem-estar dos presentes.
No dia 2 de setembro, os funcionários da empresa terceirizada que faz a gestão da iluminação do Cristo Redentor, que possuem veículos autorizados para o trabalho, foram barrados na guarita da Estrada das Paineiras pelos seguranças contratados pelo Parque Nacional da Tijuca. Eles estavam subindo para iluminar o monumento na cor verde em uma ação para chamar a atenção da população para a importância da doação de órgãos, que salva vidas, uma ação de iluminação na área de saúde entre tantas que o Santuário Cristo Redentor realiza. Da mesma forma, os veículos da Secretaria de Estado de Saúde, cujas informações de placa, modelo e cor já tinham sido enviadas ao Parque Nacional da Tijuca, também foram barrados na guarita.
Esse bloqueio vem acontecendo há alguns meses. Enumeramos alguns acontecimentos dos últimos dias. No dia 22 de agosto, a fiscalização do ICMBio falhou ao não identificar turistas franceses que ficaram na mata após o encerramento da visitação de domingo. Na manhã do dia 23, o monumento foi acessado ilegalmente pelos turistas franceses, que arrombaram os cadeados da porta de acesso ao interior do monumento e subiram até a cabeça e os braços do Cristo Redentor, atentando contra a própria integridade física. O cesso ao monumento sem autorização configurou violação contra a propriedade da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Além disso, nesse momento, no Alto Corcovado não há operação de lojas comerciais, incluindo as de alimentação, por conta de querelas judiciais entre o Parque Nacional da Tijuca e os lojistas. Dessa forma, os visitantes não podem se alimentar nem ao menos se hidratar no local, sem que levem o próprio alimento ou água. Também por conta do fechamento das lojas, o banheiro mais próximo ao platô (área de visitação do Santuário Cristo Redentor), que ficava no restaurante, também foi fechado, impedindo que o público pudesse utilizá-lo.
Nos últimos meses, a postura dos seguranças do Parque Nacional da Tijuca tem sido hostil em relação ao reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, e aos funcionários do Santuário. Dessa forma, o ICMBio, mais uma vez, tem a postura de relativizar a autoridade da Igreja, que cuida, com todo o zelo, do monumento ao Cristo Redentor e do Santuário Cristo Redentor no alto do Morro do Corcovado, cuja propriedade é da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
O Santuário Cristo Redentor é o primeiro santuário a céu aberto do mundo. A área compreende todo o platô, ou seja, toda a área de visitação do público. Símbolo nacional dos sentimentos cristãos do país, é um espaço originalmente sagrado, que acolhe pessoas de todos os lugares do mundo. No dia 12 de outubro de 2021, será celebrado o 90º aniversário do monumento ao Cristo Redentor, com um calendário de atividades que está sendo preparado pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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