Atrizes percorrem o Piauí com espetáculo promovendo a democratização do acesso ao teatro e os direitos das mulheres


No Dia Nacional do Teatro, o G1 conta a história da Trupe de Mulheres Esperança Garcia que desde 2019 viaja promovendo empoderamento feminino e combate à violência contra a mulher. Atrizes percorrem o Piauí com espetáculo
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Neste domingo (19), Dia Nacional do Teatro, o G1 conta a história do coletivo Trupe de Mulheres Esperança Garcia, grupo que percorre o interior do Piauí para atuar na democratização do acesso ao teatro e em prol dos direitos das mulheres.
“Nosso sentimento é pautado pelo verbo esperançar e nossa forma de conjugar esse verbo é montando as malas e pegando a estrada”, é a declaração de Talita do Monte, integrante da trupe.
Idealizado em 2017 pela atriz Tércia Maria, a Trupe surge como parte do programa “Mulher, Viver sem Violência”, do Governo Federal, realizado com apoio da Coordenadoria de Políticas para as Mulheres do Piauí.
No entanto, ganha força somente em 2019, quando Tércia Maria, Railane Raio, Suzy Alves e Talita do Monte se encontraram durante uma oficina de palhaçaria feminina na Escola Técnica de Teatro Professor José Gomes Campos, em Teresina.
Trupe de Mulheres Esperança Garcia
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“A Trupe é antes de tudo um coletivo de mulheres que se apoia e, de forma afetuosa, busca se curar coletivamente das dores individuais. Nós vivenciamos na própria pele as marcas da violência, seja de ex companheiros, amigos ou vendo nossas mães e amigas sofrerem violências. Não inventamos essa cura coletiva, trata-se da sororidade”, contou Talita.
A partir do encontro, foi criado o espetáculo “Em Tempos de Violência Nossa Esperança é Garcia” e a Trupe foi contemplada pelo edital Siec, da Secretaria de Cultura do Piauí (Secult). A performance já foi apresentada nos municípios de Teresina, Altos, Castelo do Piauí, Parnaíba, São João do Piauí e Rio Grande do Piauí.
O espetáculo aborda a violência contra a mulher e o empoderamento feminino. A apresentação tem duração média de 50 minutos e é seguida por uma roda reflexiva, mediada por uma advogada da Ordem dos Advogados do Brasil – Piauí (OAB-PI), responsável por instruir a comunidade a buscar os órgãos e instituições de apoio à mulheres vítimas de violência.
“Observamos que essas discussões são, muitas vezes, feitas a portas fechadas, em auditórios. Acreditamos no potencial lúdico e político do teatro, para tratar de um tema ainda tão caro a nós. Acreditamos que deveríamos nos incluir no seio da comunidade, por isso nosso trabalho é itinerante e circula nas praças e espaços públicos, de livre circulação”, afirmou a atriz Talita do Monte.
Com a chegada da pandemia e necessidade de isolamento social, a agenda de apresentações foi interrompida e deve ser retomada gradativamente. Hoje, o grupo se mantém por meio de editais.
“Temos um desafio diário de sobreviver nesse mundo. Um mundo que, certamente, não foi criado para a felicidade, igualdade, liberdade, saúde e segurança da mulher, sobretudo no Brasil, um país que se ‘desenvolveu’ como colônia de exploração”, declarou a atriz.
A Trupe se encontra semanalmente para ensaios e reuniões administrativas, no Memorial Esperança Garcia, em Teresina.
Esperança Garcia
Grupo promove empoderamento feminino por meio do teatro no Piauí
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Em 1770, Esperança Garcia denunciou em uma carta, destinada ao o governador do estado, as situações de violência sofridas por ela e sua família na fazenda de Algodões, em Oeiras, distante 300 km de Teresina.
A carta foi localizada em 1979, pelo historiador Luiz Mott, no arquivo público do estado. E em setembro de 2017, Esperança Garcia foi reconhecida pela OAB-PI como a primeira advogada piauiense.
A partir da história de Garcia, a Trupe desenvolveu uma metodologia própria, intitulada Teatro da Esperança. A técnica baseia-se nos conceitos: memória, consciência e esperança, com os quais, segundo as integrantes do coletivo, objetiva-se conhecer o passado, reconhecer o presente e pensar coletivamente futuros possíveis.
“O Teatro da Esperança se propõe como uma ferramenta política, pedagógica e artística com suas bases fundamentadas no afrofuturismo, nos feminismos plurais, principalmente o feminismo negro, e em pensamentos, saberes e cosmovisões descolonizais”, disse a Trupe.
De acordo com as atrizes, as vivências, as ancestralidades, os saberes, afetos do dia a dia servem como inspiração e referência, além de metodologias como o Teatro Experimental do Negro, o Teatro do Oprimido, o teatro de rua e a palhaçaria.
“Ao escrever sua carta, Esperança Garcia, nos ensina sobre resistir, acreditar, nos posicionar e sobretudo agir. Esperança nos ensina, ainda, que nossa emancipação só é possível quando nossas companheiras se libertam conosco”, completou Talita.
Dia Nacional do Teatro
A data homenageia a tradicional manifestação artística que, no Brasil, surgiu no século XVI, e tinha como objetivo disseminar crenças religiosas. Em 1808, com a chegada da Família Real Portuguesa, o teatro também se tornou uma forma de entretenimento.
Em 19 de setembro, também é celebrado o “Dia Nacional do Teatro Acessível”, que busca incentivar que atividades cênicas ofereçam práticas de acessibilidade a pessoas com deficiência.
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