BH estuda criar Semana dos povos indígenas

 
O mapa de Belo Horizonte passa pela Rua dos Tupis, Rua dos Tupinambás, Rua dos Carijós, Rua dos Caetés. No Centro, povos indígenas também nomeiam lugares importantes. A Praça Sete é formada pelos quatro quarteirões: Maxacali, Xacriabá, Krenak e Pataxó. E entre os prédios históricos, temos o Edifício Acaiaca.
 
Mas embora dê nome aos lugares da capital mineira, com o passar dos anos, a cultura desses povos foi apagada. Os indígenas que vivem no contexto urbano são desconsiderados, muitas vezes, nem vistos como tal.
 
Com objetivo de dar visibilidade a esses povos, foi elaborado com a participação de alguns povos, o projeto de lei, de autoria da vereadora Duda Salabert (PDT), que cria a Semana Municipal dos Povos Indígenas. Aprovada em primeiro turno, a proposta propõe que a semana seja comemorada de 9 a 15 de agosto. Nove de agosto é Dia Internacional dos Povos Indígenas.
 
O projeto tem como objetivo que as reivindicações dos povos indígenas possam figurar nas políticas públicas da cidade. Mas eles querem ser vistos para além da data comemorativa. “Quem não é visto não é lembrado. Toda a população indígena e de Belo Horizonte não recebeu sequer o direito à imunização (da COVID), o direito a andar com seu traje, direito de ter categoria raça e cor identificada nos formulários”, afirma Avelin Buniacá Kambiwá, do povo kambiwá, que ajudou na elaboração do projeto apresentado por Duda Salabert.
 
A invisibilidade tem dificultado aos indígenas, por exemplo, que possam expor o artesanato feito por eles. “A Semana Municipal dos Povos Indígenas quer mostrar que essa população existe”, destaca Avelin, que coordena o Comitê Mineiro de Apoio às Causas Indígenas.
ARTESANATO O projeto foi apresentado à Prefeitura de Belo Horizonte, que se posicionou de forma favorável à semana. A prefeitura e Duda estudam a criação de uma nova feira de artesanato indígena na cidade. “Uma parcela da sociedade acredita que as pautas indígenas devem ser discutidas na esfera federal, quando debate demarcação, por exemplo. Mas é um equívoco. Estados e municípios têm de se engajar na luta pela garantia dos direitos dos povos indígenas e originários. Nesse sentido, nosso projeto busca combate o racismo como dar visibilidade às reivindicações dos indígenas em âmbito municipal”, defende a vereadora.
 
No Brasil, cerca de 42% da população indígena estão no contexto urbano. “Calculamos que há cerca de 4 mil indígenas na Região Metropolitana”, diz o historiador Pablo Matos Camargos, da organização Centro de Documentação Ferreira da Silva (Cedefes), que trabalha com a população indígena.
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