Bolsonaro pode ter passado do limite em palavras, mas não em ações, avalia Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi questionado por investidores internacionais sobre o discurso inflamado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no feriado da Independência. Guedes defendeu o mandatário do Executivo Federal e disse que Bolsonaro pode ter passado dos limites em palavras, mas não em ações. O chefe da equipe econômica declarou que o presidente está fazendo “o máximo que pode” para permanecer dentro das regras do jogo.

As perguntas foram feitas durante evento virtual promovido pelo banco Credit Suisse, nesta sexta-feira (10/9). A conversa foi comandada pelo ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn.

“O Brasil pode destravar seu potencial econômico, expandir sua economia e reduzir o desemprego quando você tem barulho de diferentes líderes institucionais, [com] a retórica do presidente e de outros [atores], um barulho geral? Como o Brasil pode evoluir com esse nível de ruído? Você falou com o presidente [sobre] quão importante a estabilidade é para investidores, e qual sua visão sobre o cenário adiante?”, questionou um executivo do banco em Nova York.

Guedes respondeu que os Estados Unidos também tiveram muitos ruídos nas últimas eleições e que confia nas instituições democráticas.

“O que aconteceu no Brasil nos últimos dias? Milhões, centenas de milhares de pessoas, foram às ruas celebrar pacificamente, sem violência, todas vestidas de verde e amarelo. Isso é novo na política brasileira, todas acenando bandeiras. Uma pacífica celebração da democracia de um lado”, disse Guedes.

“Do outro lado, atores –e especificamente o presidente– podem ter ultrapassado [os limites] em palavras. Mas e sobre as ações? O presidente nunca ordenou nada para ser preso [sic], nunca transgrediu nada no front fiscal. O presidente está tentado o máximo que pode para permanecer nas quatro linhas, para não sair das regras do jogo”, afirmou o ministro da Economia.

Ele também destacou que é direito de todos se manifestar, mas que isso não deve ser feito incitando violência ou proferindo ataques à democracia.

“Uma coisa é manifestar sua opinião sobre como instituições estão funcionando. Outra coisa é conclamar pessoas para a violência. Se há algum erro ou mal-entendido sobre isso, o presidente mesmo ontem fez uma nota dizendo que ‘não estou fazendo nenhum movimento contra a Suprema Corte, o Congresso ou outro Poder constitucional; eu posso ter derrapado aqui e ali em palavras, mas nunca em ações’”, concluiu Guedes.

 

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