”Briquete verde” promete menor emissão de gases

Com ênfase no desenvolvimento sustentável, uma iniciativa da Vale pode reduzir em até 10% a emissão de gases do efeito estufa na produção de aço nas siderúrgicas. Durante encontro com analistas de mercado, a empresa apresentou o produto “briquete verde”, formado por minério de ferro em fusão com outros materiais e o uso da areia do tratamento de rejeitos, capaz de resistir à temperatura elevada do alto-forno sem se desintegrar.
O investimento gira próximo a R$ 1 bilhão nos dois próximos anos, com expectativa de gerar 1 mil empregos. A capacidade inicial de produção é de aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano, mas a companhia espera atingir a fabricação de 50 milhões de toneladas anuais, o que levaria a um potencial de redução de emissão superior a 6 milhões de toneladas de carbono por ano.
Segundo a Vale, o novo produto vai contribuir para que as siderúrgicas não fiquem dependentes de uma das etapas da produção do aço, a chamada sinterização. O minério é aglomerado a uma temperatura de 1.300ºC, com uso intensivo de combustíveis fósseis para gerar calor. Sem a etapa, a emissão de gás carbônico automaticamente é reduzida.
O produto reduz ainda a emissão de partículas e de gases como dióxido de enxofre (SOX) e o óxido de nitrogênio (NOX), além de dispensar o uso da água na sua produção. “A solução do briquete atende todos os clientes e ainda permite que se adequem às novas leis de emissão de gás carbônico”,  afirma Fernando Corrêa, gerente de novos produtos de minério de ferro da Vale.
“Com o briquete, conseguimos usar tanto o minério que era usado na sinterização quanto o minério mais fino da pelotização. Não haverá a necessidade de queima em alta temperatura e nem a necessidade de moer o material. Ele é passado num rolo que o comprime com o uso de um aglomerante específico, que permite o material secar numa temperatura de 200º”, detalha Corrêa.
A tecnologia foi toda patenteada no Brasil. As primeiras pesquisas começaram em 2004, mas somente em 2019 a empresa fez um teste industrial com alto-forno a carvão vegetal e, a partir daí, ampliou a fase experimental.
O especialista prevê também o reaproveitamento de compostos que seriam descartados: “Além das vantagens de menor emissão de gases, não precisa de adicionar água. Podemos usar o rejeito da mineração para produzir um aglomerante. Separamos a sílica do minério e usamos no aglomerante para voltar para ele. Estamos deixando de colocar a sílica numa barragem ou empilhá-la nos rejeitos e damos um novo uso para ela. É uma economia circular”.

PLANTAS 

A produção do briquete será, inicialmente, realizada nas usinas 1 e 2 de pelotização, na Unidade Tubarão, em Vitória (ES), que estão sendo convertidas para este fim. Posteriormente, ele será fabricado no Complexo de Vargem Grande, em Nova Lima, cujas obras tiveram início neste ano, depois de obter licença em 2020.

CSN compra Holcim

A CSN comprou 100% da fábrica de cimento Holcim (ex-LafargeHolcim). O negócio, avaliado em US$ 1,025 bilhão, reposiciona a companhia para cima no ranking de cimenteiras no país. A Holcim, franco-suíça, é a maior fabricante mundial. No Brasil, é a terceira, atrás da Votorantim e Intercement, representando 10% do mercado. Com a compra, a CSN Cimento, braço da siderúrgica para o segmento, vai acrescentar 10,3 milhões de toneladas à sua capacidade produtiva, hoje em cerca de 6 milhões de toneladas. Em Minas, a Holcim tem fábricas em Pedro Leopoldo, Região Central, Barroso, Campo das Vertentes e Montes Claros, no Norte.
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