Califórnia avalia o custo de revogar o mandato de seu governador

Em uma eleição que custa milhões de dólares e que muitos não querem, a Califórnia decidirá na terça-feira (14) nas urnas se revogará o mandato de seu governador, que pode entregar a um recém-chegado as rédeas da quinta maior economia do mundo.

O governador democrata Gavin Newsom venceu as eleições de 2018 e está a um ano de terminar seu mandato.

As tentativas de revogação não são incomuns neste estado de maioria democrata. Foi precisamente nesse referendo que o astro de Hollywood Arnold Schwarzenegger chegou ao governo em 2003, marcando o último mandato de um republicano na Califórnia.

A boa notícia para Newsom é que o estado se tornou um reduto democrata ainda mais forte desde os dias do “Exterminador”. Nem há uma figura do calibre de Schwarzenegger na longa lista adversários de Newsom, o carismático governador natural de São Francisco.

Embora a estrela de televisão Caitlyn Jenner dispute espaço, quem se destaca entre os adversários é o apresentador de rádio Larry Elder.

Mas, apesar de manter uma alta popularidade, as tentativas de destituir Newsom avançaram além do esperado.

E isso se deve, em parte, à peculiaridade do referendo revogatório. As cédulas contêm duas perguntas, a primeira é se querem destituir o governador. Newsom precisa de mais da metade dos votos a seu favor para continuar seu mandato.

Caso o “sim” prevaleça com mais da metade dos votos, seu substituto é escolhido com a segunda pergunta sobre quem querem colocar no poder.

Nesse ponto, vence quem obtiver mais votos entre os 46 candidatos.

“É quase impossível para um republicano ganhar uma eleição para governador [na Califórnia]. Esta é uma maneira de chegar ao cargo”, explicou Jim Newton, acadêmico da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

“Estamos diante da possibilidade de que 49% dos californianos votem para manter Gavin Newsom, e que perca o cargo para alguém com 18 ou 19%”, disse Newton.

“É ridículo. É uma falha estrutural do referendo revogatório”, opinou.

– Jantar sem máscara –

Nos Estados Unidos, a votação é feita por correio ou pessoalmente.

Newsom tem a seu favor que muitos eleitores privilegiam o envio de seus votos pelo correio, devido à pandemia.

Mas o governador também tem contras, algumas que ele mesmo buscou.

Em novembro foi fotografado, sem máscara, em um jantar no sofisticado restaurante French Laundry em Napa Valley.

As imagens geraram indignação entre as pequenas empresas que fecharam suas lojas por conta das restrições da pandemia e também por contradizerem suas recomendações de isolamento.

Aqueles que defendem o referendo revogatório estão ansiosos para descarregar uma ampla ladainha de queixas contra Newsom, incluindo o problema dos sem-teto e o alto custo de vida.

Mas, acima de tudo, a votação permanece, “em grande parte, como um referendo sobre a forma como Gavin Newsom está lidando com a pandemia”, segundo Newton.

Ele acrescenta que embora a maioria dos californianos aprove sua resposta à crise de saúde, “é um momento muito difícil para ser governador”.

Sendo o estado mais populoso do país (40 milhões de pessoas), a Califórnia pode ser um território importante para os republicanos que se preparam para as eleições parlamentares do ano que vem.

Um novo governador poderia eliminar ordens como o uso de máscara e vacinas e inclinar a balança no Senado, porque a senadora democrata Dianne Feinstein, de 88 anos, pode deixar sua cadeira em breve.

Mas com uma enorme presença democrata no legislativo regional e a próxima eleição para governador em novembro de 2022 (que Newson pode ganhar), o impacto de uma mudança de comando pode ser limitado.

Isso levou muitos a se perguntarem qual é o objetivo deste referendo.

Uma pesquisa recente do California Public Policy Institute concluiu que 69% dos eleitores da Califórnia acreditam que esta eleição é um desperdício de dinheiro.

“É incrivelmente caro para o estado” e impacta na governança, diz o estrategista democrata Bill Carrick, que também acredita que deveria haver uma análise mais ampla para evitar que o processo “acabe sendo tão frívolo nas urnas”.

PG&E

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