Caminhoneiros relatam terem sido obrigados a participar de paralisação

Ao Estadão, caminhoneiros afirmaram que não queriam participar de protestos, pois em nada ajudava na pauta deles

Em uma reportagem exclusiva para o Estadão, dois caminhoneiros que se viram obrigados a participarem da manifestação de paralisação nas rodovias relatam prejuízo. “Não tem discussão de preço do óleo diesel, do gás de cozinha, redução no preço de alimento. É simplesmente uma pauta política”, afirmou um dos caminhoneiros.

O caminhoneiro Rafael Alves de Carvalho, de 38 anos, motorista de caminhão há 15 anos, se viu obrigado a participar da paralisação, após uma abordagem agressiva. Após fazer uma descarga em Salto de Pirapora, São Paulo, Rafael se viu preso na rodovia estadual SP-264. “Eu estava indo embora para minha casa e fui obrigado a parar aqui. Não tem uma pauta de reivindicação para os caminhoneiros, infelizmente. É uma paralisação política.” Ele afirmou à reportagem que estava há mais de quatro horas parado e deu a entrevista vigiado pelos organizadores da mobilização.

“Não vejo futuro nenhum (no movimento) para nós caminhoneiros. Não tem discussão de preço do óleo diesel, do gás de cozinha, redução no preço de alimento. É simplesmente uma pauta política”, disse Rafael. Sobre a polêmica levantada por Bolsonaro sobre os ministros do STF, ele afirma que “se o presidente acha que o Supremo está incomodando, ele deveria mudar a forma de indicação dos ministros, pois a indicação para o Supremo é feita pelo próprio presidente. Não é fazendo essas paralisações que vai resolver o problema do supremo”.

Paralisado à 13 horas e sem comer, o motorista Wilson Jesus dos Santos, de 60 anos também se viu obrigado a aderir a paralisação. Ele ficou com medo de furar a abordagem, pois estava com um caminhão cheio de combustível. “Sou caminhoneiro há 20 anos e nunca participei de manifestação nenhuma, nem pensava em participar, mas me abordaram.”

“Votei no Bolsonaro, mas vejo que ele é difícil de tomar as decisões certas. Os combustíveis estão caros e acho que é mais por culpa dele. Estão falando em STF, mas o foco deveria ser o preço do combustível. Assim que me liberarem, vou embora”, disse Wilson.

Um dos líderes da manifestação conversou com o Estadão, mas não quis ser identificado. Dentre suas falas, ele reiterou que “a intenção nossa aqui é mais a questão do diesel, muito alto. Também chegamos a uma conclusão de que, independente do governador ou do presidente, estamos lutando mais por nós mesmos. Não por questão política e tal, é que chegou em um ponto no Brasil que não dá mais futuro para ninguém”.

O Ministério da Infraestrutura havia informado que até as 15 horas desta quinta-feira, 9, não havia mais bloqueio de nenhuma rodovia.

*Com informações do Estadão

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