Conab aponta queda de 1,8% na safra total de grãos do Brasil em 2020/21

Por Nayara Figueiredo e Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – A safra total de grãos e oleaginosas do Brasil em 2020/21 foi estimada nesta quinta-feira em 252,3 milhões de toneladas, queda de 1,8% na comparação com a temporada anterior, como reflexo de severas perdas na produção de milho, apontou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu último levantamento para o ciclo.

Até o mês passado, a Conab estimava uma safra total em cerca de 254 milhões de toneladas. No levantamento de setembro, mais uma vez a companhia revisou a produção de milho, atingida por seca e geadas.

Ao comentar a redução na comparação com a temporada anterior, a Conab apontou as perdas observadas nas culturas de segunda safra, sobretudo no milho e feijão, “justificada pelos danos causados pela seca prolongada nas principais regiões produtoras, aliada às baixas temperaturas com eventos de geadas ocorridas nos Estados da região centro-sul do país”.

A safra total de milho foi estimada em 85,7 milhões de toneladas, ante 86,7 milhões na previsão anterior, versus 102,6 milhões de tonelada na safra passada.

Com isso, a Conab reduziu sua projeção para as exportações do cereal em 1,5 milhão de toneladas, para 22 milhões de toneladas, queda de 36,9% em relação ao volume embarcado na temporada anterior.

“Esse ajuste de dados sobre o comércio do milho ocorre diante da verificação de uma menor disponibilidade do grão e dos elevados preços domésticos que incentivam a venda para o mercado interno”, disse a estatal.

Apesar da ampla demanda doméstica por milho, muito utilizado na ração animal, a expectativa para as importações permaneceu inalterada em 2,3 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de quase 1 milhão de toneladas na comparação com 2019/20.

A previsão para os estoques finais de milho teve um ligeiro avanço de 650 mil toneladas ante o relatório anterior, para 5,8 milhões de toneladas, mas ainda representa uma forte redução de 45,3% no ano a ano motivada pelo recuo na produção de 2020/21.

De outro lado, a safra de soja do Brasil foi estimada em recorde de 135,9 milhões de toneladas, praticamente estável ante a previsão anterior, mas com um salto de 8,9% ante a temporada passada.

Do total, a Conab espera que 83,61 milhões de toneladas da oleaginosa sejam destinadas ao mercado externo, leve ajuste positivo comparado às 83,4 milhões de toneladas apontadas no relatório de agosto.

Os estoques de passagem de soja em grãos da safra 2020/21 são estimados em, aproximadamente, 7,52 milhões de toneladas.

No algodão, a Conab projetou colheita de 2,36 milhões de toneladas de pluma, recuo de 21,5% contra o ciclo anterior.

“Há também a expectativa de diminuição na produtividade média em decorrência das oscilações climáticas”, afirmou a estatal sobre o algodão.

TRIGO

Principal cereal da safra de inverno, o trigo deve alcançar colheita de 8,16 milhões de toneladas, disse a Conab, com um corte em relação ao mês anterior, quando a expectativa de produção era de 8,59 milhões.

“À medida que a safra vai se aproximando de suas fases mais agudas, as estimativas demonstram menos otimismo em comparação ao início do ciclo em virtude das intempéries climáticas registradas em diversas regiões triticultoras.”

Assim como o milho segunda safra –mesmo que em menor intensidade– o trigo também teve seu potencial produtivo reduzido por geadas e baixos índices de chuvas.

A estatal destacou que os principais problemas foram identificados no Paraná, maior produtor do cereal de inverno no país.

Embora prejudicada pelo clima, a expectativa de produção para o trigo de 2021 é 30,8% superior ao registrado no ano anterior, temporada que foi marcada por danos climáticos ainda maiores e uma quebra de safra.

(Por Roberto Samora e Nayara Figueiredo)

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