CSN dá passo importante com aquisição, segundo analistas; aprovação do Cade, contudo, merece atenção

SÃO PAULO – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) anunciou nesta sexta-feira (10) que sua subsidiária CSN Cimentos assinou um contrato de aquisição de 100% da LafargeHolcim no Brasil, por cerca de US$ 1,025 bilhão (ou R$ 5,3 bilhões).

Em relatório, a casa de análise Levante diz ver a transação como positiva para a holding CSN e espera um impacto levemente positivo para as ações no curto prazo.

Nesta sexta, por volta das 12h (horário de Brasília), os papéis CSNA3 apresentavam alta de 2,2% na Bolsa brasileira, negociados a R$ 34,97. No ano até quinta-feira (9), a ação da companhia registrava alta de 15% na Bolsa.

“Agora, caminhando para uma nova fase da companhia, com menor meta de alavancagem e estrutura de capital bem mais saudável, a CSN teve ‘poder de fogo’ suficiente para incorporar ativos importantes e consolidar o mercado de cimentos, preparando o terreno para o IPO da empresa do cimento de ‘saco roxo’”, escrevem os analistas da Levante.

O time destaca que os ativos da Lafarge rodam em uma produtividade menor que a da CSN e da própria Elizabeth – recentemente adquirida –, esta última, possuindo plantas e estrutura mais modernas.

Isso permite, segundo a Levante, que as sinergias projetadas e a integração das operações proporcionem ganho de escala e maior rentabilidade, alcançando gradualmente a rentabilidade da CSN Cimentos – atualmente em torno de 40% a 45% de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), nos níveis atuais de preço do cimento no mercado.

A Guide Investimentos também vê o anúncio como positivo. Segundo os analistas, a aquisição traz robustez ao negócio, ampliando significativamente a produção, o que pode atrair uma demanda maior do ponto de vista do investidor para a participação de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), quando ocorrer.

Na avaliação do Bradesco BBI, a transação representa um passo positivo para a CSN, em linha com a estratégia da companhia de expandir sua atuação no mercado de cimento doméstico por meio de fusões e aquisições. “A aquisição deve levar a CSN Cimentos a uma capacidade total de 16,3 mtpy, configurando a empresa como o terceiro maior player no mercado brasileiro depois de Votorantim e InterCement Brazil”, destaca.

O Bradesco BBI mantém sua recomendação outperform (acima da média do mercado) para as ações da companhia, com preço-alvo por papel de R$ 67. “As ações da CSN dificilmente refletem a nova realidade da empresa (com suas operações de aço, mineração e cimento registrando números recordes), bem como forte geração de fluxo de caixa e potencial de pagamento de dividendos, agora que a saga de desalavancagem acabou”, escreve o time de análise.

Já o Morgan Stanley, escreve, em relatório, que uma avaliação inicial sugere que o valuation pago pela CSN parece atrativo, menor do que o pago recentemente pela companhia nos ativos da Elizabeth Cimentos.

Os analistas destacam, contudo, que o sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode ser um problema, já que os ativos da Lafarge estão localizados principalmente na região sudeste do Brasil, que é o principal mercado da CSN Cimentos. “Acreditamos que a aprovação do regulador pode vir com alguns ‘remédios’, exigindo que a CSN Cimentos venda alguns de seus ativos naquela região”, escrevem os analistas.

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