Cultura amazonense no palco: veja como foi a abertura do Festival de Dança de Joinville

Após quase 800 dias sem Festival de Dança de Joinville, o clima era de ansiedade antes de os sinais sonoros anunciarem que o espetáculo da Noite de Abertura estava prestes a começar no palco do Centreventos Cau Hansen, na noite de quarta-feira (6).

Mesmo com o ingresso já comprado e o lugar garantido, a aposentada Margarida Cevallos chegou cedo para aproveitar. “É a minha segunda vez no festival. Creio que vai ser muito bom, só penso que coisa boa vai acontecer”, disse ainda antes do evento começar.

Quem deu as boas-vindas à 38ª edição do evento, adiada por causa da pandemia do coronavírus, foi o Corpo de Dança do Amazonas, que trouxe a cultura nortista ao principal palco da dança no Brasil. E o DJ junto aos 22 bailarinos já dava indícios de que a apresentação seria diferente.

A presença do DJ no palco chamou a atenção da plateia – Foto: Maykon Lammerhirt

Diretamente do Norte do país, o grupo trouxe ao Centreventos as vivências do povo indígena Tikuna, no espetáculo “TA – Sobre Ser Grande”, apresentado por 22 bailarinos.

Mário Nascimento, diretor do espetáculo, conta que a coreografia pretende passar uma reflexão. “A mensagem diz respeito, principalmente, à preservação da natureza e dos povos originários, essa é a grande mensagem”, destaca.

Para ele, o festival dá impulso à cultura após as dificuldades impostas pela pandemia. “É forte você poder voltar, estar em cena em Joinville com a cultura precisando desse apoio. Acho que o festival dá um start para esse recomeço”, complementa.

Corpo de Dança do Amazonas trouxe as vivências do povo Tikuna ao palco – Foto: Nilson Bastian

Radharani, que assistiu à apresentação, saiu empolgada “Achei maravilhoso, estou saindo querendo mais. Achei muito incrível o DJ tocando com eles dançando, é uma companhia maravilhosa”, diz.

E se a emoção foi grande para a plateia, o que dizer de quem viveu a experiência no palco? “Estou emocionada, é muito honroso estar abrindo o maior festival de dança do Brasil. Vir para o Sul representar o Norte enquanto indígena, mulher e amazonense é muito importante para a minha vida”, diz a bailarina Cleia Santos, sem esconder as lágrimas.

Cleia não escondeu a emoção ao falar sobre a experiência – Foto: Ricardo Alves/NDTV

“Fizemos o convite para o CDA por todos os signos e todo esse aspecto mítico que tem o Amazonas. ‘TA’ significa ‘tem que ser grande’ e é essa a vontade e o desejo que temos sempre para a dança no Brasil”, ressalta Rui Moreira, um dos curadores do festival.

O evento segue até o dia 16 de outubro e, já na noite desta quinta-feira (7), continua com a Mostra Competitiva. Ainda há ingressos disponíveis, que podem ser comprados no site da Ticket Center.

*Com informações de Adriana Freitas, repórter da NDTV

Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Os comentários estão desativados.