Curitiba tem a maior inflação de janeiro a agosto entre as capitais; entenda os motivos e os impactos para os consumidores


Preços aumentaram, em média, 7,72% na cidade desde o começo de 2021. No país, a inflação no período está em 5,67% Preço da gasolina aumentou 36% em Curitiba desde janeiro
Augusto César Gomes
Curitiba está com a maior inflação do país no ano entre as capitais onde o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) faz o levantamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo o IBGE, os preços de produtos e serviços na cidade aumentaram 7,72% de janeiro a agosto de 2021. Os dados foram divulgados pelo instituto nesta quinta-feira (9). Veja abaixo.
Considerando o acumulado em 12 meses, entre agosto de 2020 e agosto de 2021, a cidade também tem o maior índice de inflação, com 12,08%, enquanto a média nacional é de 9,68% no mesmo período.
No índice mensal, comparando a alta de preços em relação a julho de 2021, Curitiba teve o terceiro maior aumento do país, com 1,2%, atrás de Brasília e Vitória.
De acordo com o IBGE, a inflação do ano foi puxada para cima, principalmente, pelo aumento nos preços relacionados a habitação, como aluguel, contas de água e gás, e transportes, como combustíveis.
Inflação em Curitiba
Para entender os motivos e os impactos da inflação, o G1 ouviu especialistas sobre o tema. Veja abaixo.
Quais os motivos da alta?
De acordo com os especialistas, uma série de fatores conjunturais estão fazendo com que os preços de alguns produtos estejam em alta.
Um deles é a alta do dólar. Com o real desvalorizado, produtos que têm preços no mercado internacional em dólar, como o petróleo, que é base para a formação de preços de combustíveis ou gás, ficam mais caras no país.
O dólar alto também impacta no preço dos alimentos produzidos no país. “Os produtores de carnes, por exemplo, ganham mais exportando do que vendendo internamente. Desta forma, há menos oferta e os preços tendem a aumentar”, afirmou o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná, Sandro Silva.
Insumos da agropecuária aumentaram de preço por causa da alta do dólar
Divulgação
A estiagem e a crise energética também favorecem o aumento dos preços. “Com a escassez hídrica, o governo está recorrendo a uma bandeira tarifária mais cara ainda, o que tem um impacto muito grande nas contas”, afirmou o economista e professor da FAE, Murilo Schmitt.
Como estes fatores impactam nos preços?
Segundo os economistas, o aumento do dólar, a estiagem e o aumento dos combustíveis provocam uma reação em cadeia nos outros preços, por influenciarem os custos básicos de vários produtos ou serviços.
No caso do câmbio, o dólar desvalorizado impacta no aumento de preços de insumos e itens importados.
“O dólar em alta encarece o preço dos fertilizantes que são usados na produção agropecuária de alimentos, por exemplo” afirmou o economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Luiz Eliezer Ferreira.
O aumento na conta de energia elétrica e nos combustíveis também impacta nos fretes e na produção industrial. “É uma cadeia e o aumento nos preços é repassado adiante”, afirmou o economista Murilo Schmitt.
Porque Curitiba está com uma alta de preços acima da média?
Segundo os especialistas, existem diversos fatores que podem explicar a inflação acima da média em Curitiba desde o começo do ano.
Um dos motivos é que o Paraná é um dos estados mais afetados pela falta de chuvas no Brasil. “A estiagem está muito concentrada na região Centro-Sul do país”, afirmou o economista da Faep.
Sandro Silva, economista do Dieese, afirma que Curitiba registrou um aumento de preços acima da média em 2021 porque os efeitos econômicos da pandemia foram postergados na cidade.
“Os resultados econômicos deste setor foram menos impactados no início da pandemia, então é possível que a pressão da inflação que Curitiba sente agora tenha sido registrada em outras cidades no começo de 2020”, afirmou Silva.
Quais preços subiram mais em Curitiba no ano?
De janeiro a agosto, alguns produtos tiveram alta muito acima da média na cidade. O preço das hortaliças, por exemplo, aumentou 40% no período, três vezes mais do que a média nacional.
No caso dos produtos derivados de leite, o aumento foi de 11%, quase o dobro da média nacional.
Os gastos com habitação também estiveram acima da média na cidade. O preço do aluguel aumentou 8,13% na cidade, o dobro da inflação nacional. A taxa de água e esgoto aumentou 11% na cidade, o triplo do restante do país.
Curitiba também teve aumentos acima da média no preço do gás encanado (alta de 46,72%), no gás em botijão (24,33%), na gasolina (36%), no diesel (31,16%).
Quais os impactos da inflação alta?
De acordo com o economista-chefe da TM3 Capital, Lucas Dezordi, a alta nos preços impacta diretamente na qualidade de vida das pessoas. “Os salários, em geral, não acompanham essa alta de preços, então existe uma menor capacidade de consumo”, afirmou.
Além disso, segundo Dezordi, o aumento dos preços prejudica a capacidade das pessoas pagarem dívidas. “Muita gente se endividou durante a pandemia, pessoas e empresas. Isso tem uma consequência na capacidade de pagamento”, disse.
De acordo com o economista, com a queda nos índices da pandemia, é possível que exista uma pressão na inflação de serviços nos próximos meses. “É um cenário perverso que deve ter consequências pelos próximos meses”, completou.
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