De depósito da Novacap a Espaço Cultural Renato Russo: livro relembra história da 508 Sul, em Brasília


Lançamento da obra, de Suyan de Mattos, é nesta sexta-feira (10). Livro custa R$ 40. Imagem da capa do livro ‘A Nave 508: Espaço dos Insistencialistas’, de Suyan de Mattos.
Divulgação
Pouco mais de 10 anos após a inauguração de Brasília, a quadra 508 Sul virou ponto de encontro para os amantes da arte. Era 1973, e os depósitos da Novacap foram transformados em galerias e teatros, onde os novos moradores do Planalto Central encontravam atividades culturais.
O lugar ainda existe e, em 2021, é conhecido como Espaço Cultural Renato Russo. O nome foi conquistado em 1999, em homenagem ao músico da banda Legião Urbana.
Mas antes disso, o lugar já acumulava histórias e são essas memórias que serviram de inspiração para a artista plástica Suyan de Mattos escrever o livro “A Nave 508: Espaço dos Insistencialistas”, lançado nesta sexta-feira (10) a um preço de R$ 40 (saiba mais abaixo).
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Quatro anos de pesquisa
Espetáculo ‘A Mandrágora’, de Ricardo Torres, que foi encenado no espaço cultural da 508 Sul
Arquivo pessoal
Suyan de Mattos, autora de “A Nave 508: Espaço dos Insistencialistas” disse ao G1 que era frequentadora assídua do lugar nas décadas de 1970 e 1980. Segundo ela, por ter vivido a época, sentia falta de registros sobre os primeiros anos do local.
Para resolver o problema, a artista plástica decidiu registrar o que era lembrado apenas oralmente.
“A gente [Suyan e os amigos dela] tá sempre contando, revivendo e lembrando esses momentos. Pra mim, pareceu muito necessário escrever essa história por conta da mudança do nome”, diz ela.
Durante quatro anos, a brasiliense fez uma pesquisa onde documenta como o espaço cultural funcionava durante os primeiros anos de existência, em especial de 1975 até 1986 – período que ela considera como a “era de ouro” da 508 Sul.
Foram mais de 50 entrevistas com artistas, ex-frequentadores e gestores do espaço, além da coleta de fotos históricas. O resultado está condensado em 282 páginas.
Além da venda, as pessoas que ajudaram a financiar o livro vão receber os exemplares de graça, e 5% da tiragem será destinada para o Fundo de Apoio à Cultura.
Da peça de estreia a primeira interdição
Imagem histórica do artista Alex Chacon e assistentes no ‘Centro de Criatividade’, na 508 Sul
Arquivo pessoal
O livro é dividido em três partes:
Teatro Galpão
Teatro Galpãozinho
Centro de Criatividade
A narrativa termina em 1986, quando todos os espaços foram fechados por problemas estruturais. Mas, antes da primeira interdição, a autora resgata momentos históricos, como a inauguração do Teatro Galpão, com a peça “O Homem que Enganou o Diabo e Ainda Pediu o Troco”, de Luiz Gutemberg, com direção de Laís Aderne.
Não ficam de fora as experiências vividas no Centro de Criatividade, que se transformou em uma casa de artes. Ou o surgimento Galpãozinho, destinado aos grupos de teatro amador, cuja história ficou marcada por ser palco do projeto “Jogo de Cena”, conduzido pelo ator Léo Neiva.
Novo nome: Espaço Cultural Renato Russo
Fachada do Espaço Cultural Renato Russo, em Brasília
Renato Araújo/Agência Brasília
Com o fechamento, em 1986, o espaço só voltou a receber o público dez anos mais tarde. Na reabertura, o complexo ganhou o nome de Espaço Cultural 508 Sul.
Em 1999, em homenagem ao líder da banda Legião Urbana, que havia falecido três anos antes, o lugar passou a ser chamado de Espaço Cultural Renato Russo. Suyan critica a mudança de nome. Para ela, a alteração suprime a história do local.
“Ele [Renato Russo] é sim uma figura importante para o Brasil e para Brasília, mas o espaço todo estava lá muito tempo antes do Renato. Então, acho que uma sala Renato Russo, ou um auditório [com o nome dele] caberia”, diz a autora do livro.
Em 2013, mais uma vez por causa de problemas estruturais, o local foi fechado. A reabertura ocorreu apenas em 2018, e a reforma custou R$ 6,2 milhões.
Atualmente, por causa da pandemia do novo coronavírus, o Espaço Cultural Renato Russo conta apenas com as galerias Parangolé e Rubem Valentim abertas. O local funciona de sexta a domingo, das 10h às 16h, com entrada gratuita.
Programe-se
‘A Nave 508: Espaço dos Insistencialistas’
Lançamento: sexta-feira (10)
Horário: 19h
Local: Beirute, na 109 Sul
Preço: R$ 40
Depois do lançamento o livro será vendido em dois locais:
Banca da Conceição, na 308 Sul
Livraria do Chiquinho, no Minhocão da Universidade de Brasília (UnB)
*Sob supervisão de Maria Helena Martinho.
Veja o que fazer em Brasília no G1 DF.
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