Diante de um salame, Jairzinho paz e amor dá lugar a Bolsonaro

Na última quarta-feira, dia 8, quando a Bolsa de Valores despencou, o preço do dólar disparou e cresceu o risco de que a Câmara dos Deputados abrisse um processo de impeachment contra ele, o presidente Jair Bolsonaro, que pela manhã celebrara as manifestações do 7 de setembro em Brasília e São Paulo, teve a ideia de telefonar para o ex-presidente Michel Temer.

Ano passado, ele consultou Temer em algumas ocasiões, concordou com o que ouviu sobre a melhor forma de combater a pandemia e fez tudo ao contrário. Temer diz que a presidentes não se dá conselhos, só palpites. Como ele os deu e de nada adiantou, recolheu-se ao silêncio. Mas como poderia negar-se a atender a uma ligação de Bolsonaro depois do ensaio do golpe abortado?

Devido ao seu estado de aflição, Bolsonaro foi direto ao ponto. Perguntou a Temer o que achava das manifestações da véspera que, na opinião dele, Bolsonaro, haviam sido um sucesso. Ouviu de volta:

– É para responder cerimonialmente ou francamente, presidente?

Bolsonaro engasgou-se um pouco e sugeriu:

– Responda francamente.

Então, Temer disparou à queima roupa:

– O senhor, à tarde na Avenida Paulista, perdeu tudo que havia ganhado de manhã em Brasília.

De manhã, na Esplanada dos Ministérios, em cima de um carro de som plantado em frente ao prédio do Congresso, Bolsonaro discursou para 105 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar do Distrito Federal. Foi uma decepção para ele que imaginou que falaria para 1 milhão e 200 mil. Mas não houve atos de violência. Nem invasão de prédios públicos.

À tarde, na Avenida Paulista, falou para 140 mil pessoas, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Bolsonaro disse que falaria para 2 milhões. Mesmo assim, empolgou-se e chamou de “canalha” o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e anunciou que “este presidente” não mais obedecerá às suas decisões judiciais.

A convite de Bolsonaro, Temer voou na quinta-feira dia 9 a Brasília, arrancou a assinatura dele em uma carta de pacificação dirigida à Nação e, como brinde, ainda o pôs ao telefone com Alexandre. Foi uma breve ligação, suficiente para que Bolsonaro dissesse a Alexandre, seu desafeto número 1:

– Precisamos conversar. Daqui a 30 dias quero lhe dar um abraço.

O abraço dependerá do tempo que Bolsonaro for capaz de manter em cena o Jairzinho paz e amor que, ontem, na feira agropecuária de Esteio, no Rio Grande do Sul, ao ver uma peça de salame mostrada pelos expositores a Teresa Cristina, ministra da Agricultura, cedeu aos seus instintos mais primitivos e disse:

– Esse é o salame do governador do Rio Grande do Sul.

Eduardo Leite (PSDB), governador do Estado, em 2 de julho último,  no programa “Conversa com Bial”, da Rede Globo de Televisão, admitiu pela primeira vez:

– Eu sou gay, eu sou gay. Eu sou um governador gay, não sou um gay governador, tanto quanto Obama nos Estados Unidos não foi um negro presidente, foi um presidente negro.

Pelo jeito, terá vida breve Jairzinho paz e amor.

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