Distribuidoras temem falta de gás

Na tarde de ontem, o mercado de gás de cozinha em Minas Gerais já temia mostrar sinais de falta de abastecimento por causa da paralisação dos caminhoneiros, informou o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg), Alexandre Borjaili. Ele vem recebendo informes de possível falta do produto também em outros estados. “Temos informações que em várias regiões do Brasil que já começam a registrar crise no abastecimento”, disse Borjaili sobre o movimento de apoio de parte da categoria ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaça paralisar o Brasil.
Segundo Borjaili, outros combustíveis também poderão faltar, e é urgente que o governo tome alguma medida para que a situação não se agrave. “É um absurdo o que o governo vem fazendo com sua omissão. Cortar o abastecimento é colocar vidas em risco”, afirmou em áudio enviado à reportagem.
Ele destacou que as polícias civil e militar devem ser convocadas para liberar as estradas ou, em breve, começará a faltar também alimentos, a exemplo do que ocorreu em 2018. A paralisação dos caminhoneiros bolsonaristas pede a saída de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pauta dos protestos dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no feriado de 7 de Setembro

Gás canalizado 

O presidente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Pedro Magalhães, informou ao Estado de Minas que aqueles que abastecem com o GNV e utilizam o sistema de encanamento não devem ser afetados. “Chega nas empresas e nos postos de gasolina encanados. Ele vem transportado do Pré-Sal direto para o comércio”, disse.
Ele disse que Belo Horizonte tem hoje 70 mil residências com gás canalizado. Além disso, a preocupação do desabastecimento de combustíveis, ele também tranquiliza a população. “Na última greve, o consumo de GNV cresceu e não houve problema”, diz Pedro Magalhães ao lembrar que a demanda cresceu 400% na paralisação dos caminhoneiros em 2018.
“O consumo da Gasmig vai até aumentar, principalmente no caso de faltar combustível. Igual aconteceu na última greve, não teve problema de pegar táxi e corrida por aplicativo porque 80 mil veículos em Belo Horizonte e na Região Metropolitana rodam a gás. Então, a população pode ficar tranquila em relação a isso. Pode ter falta de gasolina, mas falta de transporte não vai ter”, apontou.(Com agências)

Supermercados 

O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan, disse que a instituição monitorava as movimentações de caminhoneiros junto ao governo federal e não vê risco de desabastecimento. “De ontem para hoje (quarta para quinta-feira) mais de 50% dos movimentos foram desmobilizados”, afirmou. Ele disse ainda que a crise hídrica e outros fenômenos climáticos que interferem nos preços de insumos não chegam rapidamente às gôndolas dos supermercados e que, por meio de uma ampliação no conjunto de marcas o varejo consegue negociar melhor aumento de preços.
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