Egito recebe primeiro-ministro de Israel pela 1ª vez desde 2011

O primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, reuniu-se nesta segunda-feira (13) com o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, em Sharm el Sheikh, na primeira visita de um chefe de Governo israelense ao Egito em mais de uma década.

País árabe de maior população e o primeiro a assinar um acordo de paz com Israel em 1979, o Egito sempre desempenhou um papel de mediador nos ciclos de violência entre Israel e o movimento palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

Com fronteiras com Faixa de Gaza e Israel ao leste, o Egito recebe de maneira regular representantes do Hamas, assim como de sua rival, a Autoridade Palestina liderada por Mahmud Abbas, ao mesmo tempo que mantém relações diplomáticas, comerciais e de segurança com Israel.

Alguns dias após receber Abbas, o governante egípcio se reuniu com o direitista Bennett, retomando, assim, os encontros que eram frequentes até a revolta popular de 2011 no Egito.

Os dois conversaram sobre os “esforços para reativar o processo de paz” entre israelenses e palestinos, estagnado desde 2014, informou o porta-voz da presidência, Basam Radi, em um comunicado.

No domingo (12), ao propor “melhorar” as condições de vida dos moradores de Gaza em troca de um compromisso de “calma” por parte do Hamas, o ministro israelense das Relações Exteriores, Yair Lapid, voltou a recordar a “importância vital do Egito”.

Este projeto, ressaltou, “não verá luz sem o apoio e a participação dos sócios egípcios e sua capacidade para falar com todas as partes envolvidas”.

Nael Shama, especialista em política externa egípcia, considera que a visita de Bennett representa um “passo importante para o desenvolvimento das relações econômicas e de segurança” entre os países e sua “preocupação comum” a respeito de Gaza. Também é significativo para o projeto egípcio de “reativar as negociações políticas entre Israel e a Autoridade Palestina”.

– Cooperação no Sinai –

Em 2019, durante entrevista ao canal americano CBS, Sisi reconheceu que o exército do país operava ao lado de Israel contra os “terroristas” no norte do Sinai. Ele chamou a cooperação de “a mais estreita” que já existiu entre os dois vizinhos.

Graças ao tratado de paz que acabou com o estado de guerra entre os países, o Egito recuperou a soberania sobre a península do Sinai ocupada por Israel desde 1967, mas com a condição de desmilitarizar a zona.

Desde 2013, porém, o país enfrenta uma insurgência liderada por um braço do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Os dois países também desenvolveram laços no setor energético, uma questão estratégica no leste do Mediterrâneo. Desde 2020, o Egito recebe gás natural de Israel para liquefazer e reexportar para a Europa. Trata-se de um negócio avaliado em 13,3 bilhões de euros (15,7 bilhões de dólares).

O último encontro entre um presidente egípcio e um primeiro-ministro israelense havia acontecido em janeiro de 2011.

À época, o agora falecido Hosni Mubarak recebeu o então primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Poucos dias depois, Mubarak foi deposto por uma revolta popular, seguida, dois anos mais tarde, pela derrubada de seu sucessor Mohamed Mursi e pela tomada do poder por parte de Sisi.

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