Família de brasileiro que morreu em Portugal após queda há um ano faz homenagem: ‘Ameniza a dor’


Loverci de Castro Junior, de 31 anos, caiu de uma altura de 20 metros enquanto ajustava painéis solares. Família arrecadou cerca de R$ 66 mil em comunidade para o translado do corpo. Homenagem foi feita após um ano da morte de brasileiro em Portugal
Arquivo pessoal/Kellen Cristine de Lima
A família do brasileiro Loverci de Castro Junior, de 31 anos, que morreu ao cair de uma altura de 20 metros enquanto trabalhava instalando painéis solares em Portugal, realizou, neste sábado (11), uma homenagem após um ano do acidente fatal. Os parentes contam que, mesmo após passados tantos meses, ainda procuram por respostas sobre a queda.
Em setembro do ano passado, o trabalhador teria, de acordo com testemunhas, se distraído e se apoiado em uma telha que não seria capaz de sustentar seu peso, enquanto instalava um painel solar. O acidente ocorreu em um imóvel em Mangualde, cidade portuguesa do Distrito de Viseu. As telhas que seriam capazes de sustentá-lo são intercaladas com as mais frágeis.
Junior e sua esposa haviam se mudado há dez meses para Portugal quando aconteceu o acidente
Arquivo pessoal/Kellen
A homenagem começou às 9h, no campo de futebol do bairro Santa Cruz dos Navegantes. Amigos, parentes e conhecidos se reuniram com uma bandeira e camisetas estampadas com o rosto de Junior, além da frase: “Aquele que crê em mim, ainda que morra viverá”.
Um futebol entre os amigos foi realizado, em homenagem à Junior que sempre cumpriu o papel de juiz das partidas antes de morrer. À tarde, está programada uma queima de fogos e, também, soltura de balões brancos com mensagens positivas.
“A família toda está emocionada. A gente não sabia que meu irmão era tão querido assim”, comentou a irmã, Kellen Cristine de Lima. “Ver tudo isso ameniza um pouco a dor da perda dele”.
Homenagem foi feita após um ano da morte de brasileiro em Portugal
Arquivo pessoal/Kellen Cristine de Lima
Sem respostas
A família também usou a data para falar sobre a briga judicial que travam contra a empresa na qual Junior estava trabalhando no momento da queda. Segundo a irmã, a família gastou, no total, R$ 66 mil para conseguir sepultá-lo em Guarujá. “A comunidade toda nos ajudou”, contou.
De acordo com a irmã, a família entrou com um pedido de indenização pela queda que aconteceu durante o expediente dele e, também, tenta conseguir a liberação do seguro de vida dele. “A empresa alegou que foi suicídio e, por conta disso, não pagariam o seguro de vida. Foi um choque ouvir isso”, contou ela.
“Neste um ano, desde o acidente, a empresa nunca ligou para a família para desejar pêsames ou perguntar como poderiam ajudar”, desabafa a irmã.
Junior trabalhava instalando painéis solares em uma empresa de Portugal
Arquivo pessoal/Kellen Cristine de Lima
Ainda, ela pede por respostas sobre o acidente que, segundo conta, ainda não foi esclarecido. “Não sabemos o que aconteceu de verdade. Tudo o que sabemos é o que testemunhas falaram para a esposa dele. Não sei porque ele subiu sem equipamentos e por qual motivo deixaram ele subir sozinho”, conta.
O G1 tentou, mas não conseguiu localizar a defesa da empresa portuguesa para pedir um posicionamento acerca do acidente.
Translado do corpo
Um dia antes do acidente, por telefone, Junior pediu à mãe para que, caso ele falecesse no exterior, seu corpo fosse trazido de volta à cidade natal. “Ele ainda disse: ‘fala para mim, mãe. Quero escutar a senhora falar que buscaria o meu corpo e não me deixaria aqui’”, teria dito em ligação.
Na época, a família de Junior conseguiu arrecadar 7 mil euros, o equivalente a R$ 47 mil, para o translado do corpo ao Brasil, onde ele foi velado e sepultado.
Junior e a esposa haviam se mudado de Guarujá (SP) para a cidade de Braga, no extremo norte de Portugal, no final de novembro de 2019 em busca de uma vida melhor. Os dois tinham acabado de ganhar um terreno em Guarujá e pretendiam juntar dinheiro para voltar ao Brasil e construir a moradia.
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