Gettr: como é a nova rede social que caiu no gosto da família Bolsonaro

São Paulo – Em meio a discussões sobre liberdade de expressão, a família Bolsonaro elegeu recentemente uma nova rede social para servir de palanque para suas ideias: a Gettr. Uma das principais reclamações dos apoiadores do presidente é uma suposta “perseguição” a seus perfis na internet, com exclusão de posts e investigações por fake news e ameaças ao Supremo.

Criada por um ex-assessor de Donald Trump, que pregava um discurso parecido e chegou a ser banido do Twitter quando era presidente dos Estados Unidos, a plataforma americana promete “independência de pensamentos e rejeita a censura política e a cultura do cancelamento”.


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O sistema é novo, lançado em julho, mas já causa polêmicas. Na terça (7/9), o fundador da ferramenta, Jason Miller, que estava no Brasil para um evento, acabou interrogado pela Polícia Federal como parte do inquérito das fake news no STF. “Que democracia é essa que a gente está vivendo?”, discursou Eduardo Bolsonaro no ato pró-Bolsonaro na Avenida Paulista, ao citar a abordagem a Miller. “Nós temos que denunciar, pegar o celular e dizer o que está acontecendo no Brasil.”

Na mesma data, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão da monetização a perfis bolsonaristas no site. A decisão do ministro-corregedor Luis Felipe Salomão atende a uma solicitação da Polícia Federal, que investiga a disseminação de notícias falsas contra o sistema eleitoral brasileiro.

A plataforma 

O Metrópoles acompanhou a movimentação da Gettr durante três dias. Com um funcionamento bastante similar ao Twitter, a rede traz a presença da família Bolsonaro em peso. O presidente, por exemplo, ainda amarga apenas 250 mil seguidores por lá – para comparação, no Instagram, são 18,8 milhões. Eduardo e Flávio já exibem maior alcance, com 2,2 milhões e 1,7 milhões de fãs, respectivamente.

Também se mostram bem ativas no site as deputadas federais seguidoras fieis do bolsonarismo Bia Kicis (PSL) – 1 milhão de seguidores – e Carla Zambelli (PSL) – 94.8 mil. O canal Terça Livre (que chegou a ser banido do YouTube devido a fake news) também exibe forte presença, com 534.1 mil seguidores.


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Entre os assuntos mais abordados, aparecem pautas de direita como ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à imprensa, além de apoio ao voto impresso, críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e desprezo ao comunismo.

Em 7 de setembro, as manifestações a favor do presidente foram o principal tema. Um dia depois, na quarta (8/9), a Gettr comemorou o maior número de inscrições de brasileiros “patriotas” desde seu lançamento: 50 mil downloads em um dia. “Eu preciso agradecer a Alexandre de Moraes, de quem nunca tinha ouvido falar até esta semana”, alfinetou Miller em uma entrevista.

Os políticos conservadores aproveitaram a “liberdade” assegurada pelo sistema para “provar” que a imprensa estaria mentindo sobre dados dos protestos. Em uma das publicações, Bia Kicis disse: “Essas imagens já estão correndo o Brasil e o mundo, e mostra o verdadeiro apoio do Presidente Jair Bolsonaro”.

Com cliques da multidão, Flávio Bolsonaro também se manifestou: “Uma imagem vale mais do que mil narrativas”, escreveu na rede, fazendo crítica a jornalistas. Ele postou ainda uma outra foto, referente ao Rio, e disse “só fala em impeachment quem não está ouvindo a voz das ruas”.


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Sobre a Gettr

Na página inicial da Gettr, fica em destaque o slogan da empresa: “Um mercado de ideias”. Baseada no design do Twitter, a rede propõe um espaço mais liberal a quem se sente censurado.

De acordo com Miller, há 2 milhões de usuários na plataforma, sendo 1 milhão nos Estados Unidos. A família Bolsonaro tratou de divulgar o site, logo em sua estreia, como um lugar confiável e chamou seus aliados para se inscreverem.

No dia 4 de julho, o senador Flávio Bolsonaro realizou uma publicação no Twitter. “Nova rede social de Trump, e eu já estou lá. Mais uma rede em defesa da liberdade. Acesse, se inscreva e me siga”, disse.


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Outras redes com apoiadores

Conservadores com discurso radical tendem a procurar novas plataformas para onde possam fugir de limitações impostas pelas redes sociais de maior público, como Twitter, Instagram, Facebook e WhatsApp. As principais alternativas achadas até o momento foram: Gettr, Parler e Telegram.

“A ‘desplataformização’ – ou seja, a remoção e banimento de uma conta por quebrar as regras da plataforma – tem sido cada vez mais adotada pelas grandes empresas de mídias sociais para mitigar a disseminação de discurso de ódio”, explica Débora Salles, professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab).

O Parler, com estrutura próxima à do Twitter, foi amplamente incentivado pela direita bolsonarista. Com o slogan “leia notícias, fale livremente”, a ferramenta acabou excluída de lojas de aplicativos da Apple e do Google em janeiro, após usuários investirem na plataforma para organizar a invasão do Capitólio nos Estados Unidos.

Já o Telegram, um app russo criado em 2013, com layout próximo ao do WhatsApp, se tornou outra opção. Com seus canais, os inscritos podem falar livremente sobre qualquer assunto, já que não há monitoramento de conteúdo pela empresa. Dessa forma, a desinformação circula sem nenhum tipo de contenção ou punição.

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