Há 20 anos, bolsas mundiais mergulhavam no caos após ataque às Torres Gêmeas

Jane Tyska/Digital First Media/East Bay Times via Getty Images

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Wall Street ficou coberta de poeira após a queda das Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001; o complexo empresarial ficava a menos de um quilômetro de distância

Em 11 de setembro de 2001, há exatos 20 anos, Nova York parou após dois aviões atingirem o World Trade Center, um dos maiores complexos empresariais da cidade. Após os ataques, bolsas de valores ao redor do mundo sofreram quedas raramente vistas na história.

“Naquele momento, as pessoas acharam que o mundo iria acabar. Foi pavoroso”, relembra William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

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No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu mais de 9%, aos 10.827 pontos, após um pregão que durou apenas uma hora e quinze minutos naquela terça-feira. No dia seguinte, a bolsa amanheceu com queda de 10%.

“Quando você tem um ataque terrorista dessa magnitude, demora até as pessoas entenderem o que está acontecendo e a aversão a risco aumenta de maneira exponencial. Não teve jeito, todas as bolsas caíram”, diz Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper.

A Bolsa de Tóquio abriu na quarta-feira, 12 de setembro, com queda de 6%, abaixo dos 10.000 pontos pela primeira vez em 17 anos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 7%.

Nos Estados Unidos, Wall Street não chegou a abrir no dia dos atentados, já que o primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center às 8:46h da manhã, antes do início do pregão. Os mercados só voltaram a operar na segunda-feira, 17, quase uma semana depois dos ataques. Foi a terceira vez na história que as bolsas de Nova York ficaram fechadas por um período prolongado – a primeira foi no início da Primeira Guerra Mundial, e a segunda em março de 1933, durante o período da Grande Depressão que seguiu o crash de 1929.

Durante os três dias de bolsas fechadas (quarta, quinta e sexta-feira), o Federal Reserve (Banco Central norte-americano) injetou US$ 100 bilhões por dia em uma tentativa de aumentar a liquidez do mercado.

Rocha explica que cenários em que há muita imprevisibilidade e alto risco levam os gestores de portfólios a trocar ações por investimentos em ativos “menos financeiros”, como prata, petróleo e ouro, que chegou a subir 6% naquela terça-feira no mercado de Londres. “Os títulos do tesouro americano também tiveram um forte momento [de valorização]”, diz ele.

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Demora na recuperação econômica

O fato de o então presidente dos EUA, George W. Bush, ter rapidamente declarado guerra ao terrorismo ajudou a estabilizar os mercados, segundo Eid, mas mesmo assim as bolsas tiveram quedas entre 8% e 14% na semana seguinte. “O mundo inteiro despencou”, diz ele.

“Com o ânimo que a guerra do Afeganistão [iniciada em outubro daquele ano] deu à economia, os índices se recuperaram das perdas já em dezembro de 2001. Já no Brasil a recuperação só aconteceu entre março e abril de 2002”, afirma o professor da FGV.

Para ele, parte da demora para que a Bolsa brasileira voltasse ao patamar anterior ao atentado está relacionada ao fato de a economia do Brasil ser dependente de muitos produtos do exterior, principalmente naquela época.

Rocha, por sua vez, acredita que hoje a retomada econômica do Brasil seria mais rápida, justamente por causa da importância do país no mercado internacional como grande exportador de alimentos. O professor do Insper compara “Se olharmos para a tragédia sanitária da Covid, a gente não sabia nada em março do ano passado, não sabíamos nem se essa doença não iria exterminar a metade da população. Esperávamos um cenário muito pior”, diz o professor do Insper.

As companhias aéreas e seguradoras estão no topo da lista dos setores que mais sofreram com os ataques. Na época, voos foram cancelados, pessoas de diferentes países ficaram com medo de viajar e o turismo norte-americano teve perdas significativas. Segundo o Departamento de Transporte dos EUA, o número de viagens de avião realizadas dentro do país depois do atentado caiu 22%. No fim de setembro daquele ano, o governo norte-americano lançou um pacote de ajuda de US$ 15 bilhões para as companhias aéreas.

“Até hoje não é possível fazer seguro contra ataques terroristas”, diz Rocha, acrescentando que as seguradoras tiveram prejuízos de cerca de US$ 30 bilhões. Relatórios do Congresso americano apontam que as mortes e danos a propriedades decorrentes do atentado geraram o maior volume de processos de sinistros da história dos EUA – os pagamentos solicitados somavam US$ 40 bilhões em 2002.

Nos aeroportos, o impacto dos ataques terroristas é percebido até hoje. Protocolos de segurança, como a abertura de malas, restrições sobre quantidades de líquidos na bagagem de mão e remoção de cintos e de aparelhos eletrônicos se tornaram mais frequentes e depois dos atentados.


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