Há vida debaixo da ponte!

Embora já tenha passado uns dez dias, mais ou menos, que o MGTV1 trouxe a matéria, a tendência é de que ninguém mais se lembre dela. Eu, portanto, vi a notícia, e ela não me sai da cabeça e do coração. Foi sobre o parto de uma mulher, em situação de rua, que deu a luz a um casal de gêmeos debaixo da ponte da cidade.

Essa matéria, aliás, diga-se de passagem, desejo parabenizar o jornalismo da TV Integração, me trouxe algumas reflexões sobre a vida. Fiquei emocionado ao acompanhar essa realidade mostrada no telejornal. E acredito que muitos telespectadores ficaram sensibilizados com a situação. Acolho essa experiência humana para produzir algumas percepções e sensações sobre o que ela me provocou. Na sua companhia, caro leitor e leitora, desejo compartilhar essas impressões.

Antes de apresentá-las, desejo também, além de reconhecer o belo trabalho da reportagem, já citado anteriormente, desejo também parabenizar a belíssima atuação do Corpo de Bombeiros, bem como a dos profissionais de saúde municipal que realizaram o ato de proteger, garantir e oferecer todos os cuidados necessários para a salvação das vidas humanas colocadas em risco de morte. Não só a vida da mãe, mas a dos seus filhos. E, graças à Deus, deu tudo certo (uma comoção geral!).

E se já falei em Deus, é por aí que eu começo a apresentar minhas imaginações existenciais provocadas por esse fato. A gratuidade da vida. A vida está em todo lugar. Em lugares inimagináveis. Como no pé de tomate que, solitariamente, resiste à violência urbana, com seus dias contados para deixar de viver, e resiste em dar frutos em plena esquina da Rua Espírito Santo com a Av. Presidente Itamar Franco. No Centro da cidade.

Com essa experiência trazida pela imprensa local ficou claro, com absoluta convicção, que debaixo de ponte não é lugar para as pessoas nascerem e, muito menos, viverem. E também fica na memória a esperança e o sonho de que um dia teremos ambientes seguros de vida para todas as pessoas. Uma outra reflexão apreendida dessa realidade é a de que estamos deixando de viver; estamos dando pouca importância à vida. Por mais que os gestos cotidianos nos mostrem a presença de sinais vitais que animam o nosso espírito.

Acredito que um dia vai chegar, pelo fruto da nossa construção coletiva e do fazer política diariamente, em que pessoas – como nós – não viverão mais nas ruas das cidades. As pessoas idosas serão respeitadas e vistas com dignidade social. Algumas mulheres não terão filhos em ambientes inóspitos para a condição humana, à beira de um rio, que, como elas, precisa de oxigênio para sobreviver.

Não posso deixar de registrar a vergonha que senti ao tomar o choque de realidade, que a matéria trouxe. Fica expresso também o fracasso humano de um sistema político-social-econômico que não está nem aí para a pessoa humana. E pode piorar. Por isso que eu te conclamo e convido, prezado leitor e leitora: não vamos permitir que a vida humana perca o seu valor e a sua importância. Por mais que já esteja comprometida. A luta a favor da vida não pode parar e não tem fim.

A repercussão do nascimento das crianças teve um desfecho bem animador e reconfortante com muitas pessoas e algumas organizações não-governamentais se solidarizando e ajudando, de uma forma ou de outra, no desenvolvimento e amparo da mãe e de seus filhos. E a Prefeitura entrou no caso, no cumprimento de suas atribuições constitucionais.

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