Isa Penna se descola do PSol e confirma presença no ato de 12/9

Única representante do PSol que deve comparecer ao ato deste domingo (12/9) pelo impeachment de Jair Bolsonaro, a deputada estadual Isa Penna (SP) sofreu pressões da direção do partido para não participar dos atos, mas decidiu comparecer. Neste sábado (11/9), a direção do partido chamou Isa para uma conversa, mas a deputada manteve a posição de ir à Avenida Paulista.

“Dia 12, eu vou muito convicta de que lá nascerão as condições de uma frente ampla. Bem antes das eleições de outubro de 2022. Vou porque o caminho da autoproclamação, do dualismo e a cultura política do ódio regrediram o nosso país”, disse a deputada em nota (leia a íntegra abaixo) enviada ao Metrópoles.

“Respeito a todos que acham que precisamos ter mais tempo pra construir essa unidade, mas não arriscarei com o imobilismo, pode custar caro demais. Onde há interesses eleitorais de primeira, segunda ou terceira via, que nós levemos o nosso programa político.”

O partido emitiu um comunicado oficial (íntegra abaixo) logo após Isa Penna confirmar sua presença e algumas lideranças acompanharam. “A Executiva Nacional do PSol informa que o partido não é organizador, não convoca e nem participará da manifestação do dia 12 de setembro. Nosso partido faz parte da campanha nacional pelo Fora Bolsonaro, que em breve definirá seu calendário”, diz a nota do partido.

Alguns integrantes do partido defendem que parlamentares que contrariarem a posição da Executiva estarão desrespeitando o partido e serão sujeitos a sanções.

O ato deste domingo (12/9) começou a ser organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, mas tenta atrair também lideranças do campo da esquerda. Expoentes de partidos como PDT, PSB, Rede, Cidadania e PCdoB decidiram aderir em prol da “pauta comum”, mas sem PT e PSol, o ato não contará com uma oposição unificada.

As duas siglas ainda possuem resistência a subir no mesmo palanque de movimentos gestados entre 2014 e 2015 e com papel fundamental no impeachment de Dilma Rousseff.

O Movimento Esquerda Socialista (MES), última corrente do PSol que discutia a adesão ao ato decidiu na sexta-feira (10/9) que os seus representantes não irão às ruas.

A direção nacional do PSol, que pertence a um grupo antagônico ao MES, emitiu nota afirmando que o partido “não é organizador, não convoca, nem participará da manifestação do dia 12”.

A manifestação de amanhã reunirá quatro presidenciáveis: Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Amoêdo (Novo) e o recém anunciado Alessandro Vieira (Cidadania), todos interessados no fim da polarização entre Lula e Bolsonaro.

Mais ligados ao centro, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), e a senadora Simone Tebet (MDB-MS), também confirmaram presença.

Leia a nota, na íntegra da deputada Isa Penna:

Onde há possibilidade de diálogo eu vou. Vou pelo diálogo, estarão lá pessoas que sequer tem identidade ideológica fechada. Estarão lá porque estão sofrendo de fome, perseguições, desemprego, cortes na cultura e educação, preços e inflação altos, o atraso e a corrupção referente às vacinas; sofrendo com as mortes de milhares de brasileiros, degradação de nossa natureza e falta de água. E se eles também estão indo, eu vou. Vou pelas pessoas, pela liberdade de poder continuar divergindo de setores que estarão neste ato comigo.

Não tem diálogo com o governo, nossa democracia está correndo risco. O ato Bolsonarista no sete de setembro ameaçou direitos democráticos, e houve uma base fervorosa apoiando. E é por isso que vou sem desmerecer as causas internas do PSOL e as causas internas de outros partidos de esquerda, sei que elas existem em defesa do povo de São Paulo, do povo brasileiro, sou parte disso. Espero que eles não me desmereçam também. Estarei também no dia dia 2 de outubro.

Dia 12, eu vou muito convicta de que lá nascerão as condições de uma frente ampla. Bem antes das eleições de outubro de 2022. Vou porque o caminho da auto proclamação, do dualismo e a cultura política do ódio regrediram o nosso país. Respeito a todos que acham que precisamos ter mais tempo pra construir essa unidade, mas não arriscarei com o imobilismo, pode custar caro demais. Onde há interesses eleitorais de primeira, segunda ou terceira via, que nós levemos o nosso programa político.

Vou pela democracia. Sei as muitas ocasiões que o MBL flertou com o autoritarismo. Mas é muito importante que tenham mudado de posição e saído do governo Bolsonaro. Assim como MDB e PSDB também. E como diz o poeta pernambucano Marcelo Mário de Melo: que seja “uma frente ampla, tão ampla, até doer!”

Vou pelo nosso povo que espera soluções que podem vir com a participação de uma deputada do PSOL, mas creio que devemos aproveitar esse momento para demonstrar que o nosso amor pelas pessoas, a firmeza na defesa das conquistas democráticas e a esperança ativa são insuperáveis. Onde sempre teve ódio que nós os constranjamos com amor.

Continuarei defendendo como oposição, e contra vários setores que estarão nessas manifestações com a luta da nossa militância, da juventude, com as posições políticas que comprometem o avanço dos direitos sociais, da luta do povo, das mulheres, dos povos indígenas, LGBTQS e todas as pautas que me comprometi e defendo no PSOL e na minha trajetória política.

Leia a nota, na íntegra, da direção do PSol:

NOTA DA EXECUTIVA NACIONAL DO PSOL

O PSOL vem atuando para construir a mais ampla unidade para derrotar Bolsonaro, a exemplo do amplo pedido de impeachment recentemente protocolado.

Não pouparemos esforços para conquistar a unidade com quem partilha deste objetivo. No entanto, a Executiva Nacional do PSOL informa que o partido não é organizador, não convoca e nem participará da manifestação do dia 12 de setembro. Nosso partido faz parte da campanha nacional pelo Fora Bolsonaro, que em breve definirá seu calendário.

Seguimos em debate com os partidos de oposição para a construção de uma manifestação ampla pela saída de Bolsonaro nas próximas semanas e nos dedicaremos a essa tarefa.

Executiva Nacional do PSOL
10 de setembro de 2020

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