Mais de 4 mil venezuelanos refugiados no Brasil vivem nas ruas de Pacaraima (RR)

O governo brasileiro recebe todos que cruzam a fronteira, ilegais ou não. Desde junho, mais de 30 mil pessoas foram atendidas no posto de triagem. Mais de 4.000 venezuelanos estão vivendo nas ruas de cidade em Roraima
Mais de 4 mil venezuelanos que cruzaram a fronteira para se refugiar no Brasil estão vivendo nas ruas de Pacaraima, em Roraima.
Famílias a pé, de moto, gente até de bicicleta. É pelas trilhas clandestinas em território venezuelano que os migrantes entram em terras brasileiras.
Do lado brasileiro, a fronteira que estava fechada desde março de 2020, como medida preventiva de controle da pandemia, foi reaberta em junho.
Do lado de lá, a Venezuela não reabriu a fronteira. Para sair do país, os venezuelanos recorrem a atravessadores, que burlam a fiscalização. Os chamados “coiotes” cobram R$ 50 por grupo.
Uma família venezuelana enfrentou três dias de caminhada para entrar ilegalmente no Brasil.
Mesmo depois de enfrentar dias caminhando e de todo esforço para se chegar até a fronteira brasileira, isso é apenas o começo da jornada de quem busca um lugar melhor para viver.
Em Pacaraima, calçadas lotadas. O governo brasileiro recebe todos que cruzam a fronteira, ilegais ou não. Desde junho, mais de 30 mil pessoas foram atendidas no posto de triagem.
“Todo migrante que chega na área de Pacaraima é registrado de modo que nós possamos compor uma fila por ordem de chegada. Nessa fila, são tiradas fotos da pessoa e da cédula dela e é cedido um número de senha para seguir uma sequência lógica da fila por ordem de chegada. Nós estamos conseguindo fazer uma média de 280 a 300 pessoas por dia que nós colocamos para dentro do fluxo de documentação”, explicou o coronel Rafael Faria, coordenador da base da Operação Acolhida em Pacaraima.
Quem não consegue abrigo dorme nas portas de lojas, de prédios públicos e de agências bancárias. A Organização Internacional para as Migrações estima que, só em Pacaraima, mais de 4 mil venezuelanos vivem fora de abrigos.
A migrante Desire Gomez Fajardo pede ajuda.
“Estamos passando por um momento crítico, por favor, ajude-nos a sair”, pediu
A esperança de Desire é ser realocada de Roraima para outra região do Brasil onde possa conseguir trabalho. Desde 2018, já são mais de 58 mil venezuelanos interiorizados.
E a pressão dos migrantes cruzando a fronteira do país levou Roraima a ser o estado brasileiro com o maior aumento percentual de habitantes: 3,41% na comparação com 2020.
“No nosso caso, é bastante característica a questão de uma migração internacional notadamente desses venezuelanos como principal fator de crescimento populacional para o estado de Roraima. A partir disso, você tem que constituir uma série de ações de políticas públicas relacionadas tanto ao atendimento de necessidades, mas também aproveitar o potencial que essa população gera”, destacou João Carlos Jarochinski, professor de Relações Internacionais da UFRR.
A maquiadora venezuelana Carmen Luengo chegou ao Brasil com a família em 2017. Fugiu da fome e, hoje, diz que recomeçou a vida em Roraima.
“Conseguimos trabalho e sempre pensamos em estar melhor a cada dia”, contou.
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