Manifestação contra Bolsonaro une direita e esquerda em Florianópolis

Centenas de pessoas se reuniram na escadaria da Catedral Metropolitana de Florianópolis, na tarde de ontem (12) em uma manifestação– segundo os organizadores – pela Democracia e contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Reunião heterogênea na manifestação contra Bolsonaro em Florianópolis

Ato contra Bolsonaro em Florianópolis reuniu diferentes ideologias – Foto: Nícolas Horácio/ND

A mobilização, que ocorreu em diversas capitais brasileiras, reuniu membros de movimentos sociais, como MBL (Movimento Brasil Livre) e de partidos políticos, a exemplo do Novo, PDT, PCdoB e PV.

Majoritariamente de branco, alguns com bandeiras do Brasil, outros de partidos, os manifestantes de Florianópolis são da esquerda, da direita e se mobilizaram em função das manifestações pró-governo no 7 de setembro. O protesto começou perto das 14h e o grupo não se deslocou da Catedral até o encerramento, às 15h30.

Utilizando carro de som, alguns organizadores criticaram Bolsonaro em diversas frentes: os ataques às instituições democráticas, a política na pandemia, a aliança com o centrão e o clima de desagregação nacional. A Representante do VPR, Adriana Dornelles, pediu um minuto de silêncio, homenageando os 580 mil mortos pela Covid-19 no Brasil.

Homem na manifestação contra Bolsonaro em Florianópolis

Durante o minuto de silêncio, esse manifestante estendeu seu cartaz explicando porque se opõe a Bolsonaro – Foto: Nícolas Horácio/ND

Antes do ato, o advogado e empresário Roberto Freitas, do MBL, estimou a participação de 300 pessoas. No encerramento, dobrou o cálculo para 600. Ele lembrou que MBL e VPR (Vem Pra Rua) ajudaram a tirar Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Negociação com PM na manifestação contra Bolsonaro em Florianópolis

O protesto ocorreu perto de um posto da Polícia e antes da manifestação, Roberto dialogou com a PM; não houve incidentes – Foto: Nícolas Horácio

“Nossos governantes, de esquerda ou de direita, precisam respeitar as regras. A Dilma fez pedalada e fomos contra. Bolsonaro está pedalando com a questão dos precatórios e ‘pau que bate em Chico, tem que bater em Francisco’”, disse Roberto.

O ato, em Florianópolis, reuniu quem votou e quem não votou no presidente em 2018. Mariana Machado, 26 anos, integra dois movimentos sociais: Lola (Liga Organizada de Liberais Associada) e Livres: “Conhecíamos a figura do presidente antes de 2018 e percebíamos os discursos dele. Eleito, não moderou esse discurso, como muita gente tinha esperança”.

Gabriel Costa, 24 anos, trabalha no mercado financeiro. O jovem explicou porque foi ao protesto: “A motivação principal é o impeachment de Bolsonaro. Votei nele em 2018, pela proposta de combate à corrupção, porque se disse liberal na economia, porém, não cumpriu nenhuma proposta”, lamentou Gabriel, que estava com a namorada, Thais, e o primo, Davi, na manifestação.

Políticos presentes na manifestação contra Bolsonaro

Figuras políticas de Santa Catarina também participaram do ato contra Bolsonaro em Florianópolis. Manoel Dias, do PDT, disse: “É necessário que todos que defendem a Democracia se unifiquem”.

Após a ajuda de Michel Temer, e o recuo de Bolsonaro, o experiente Manoel Dias (PDT) disse que haverá eleição em 2022: “Está garantida” – Foto: Nícolas Horácio/ND

Manu Vieira, do Novo, vereadora em Florianópolis, explicou que seu partido é anti-populista: “Não aceitamos bravatas e desmandos que geram caos na vida do brasileiro. Enquanto isso, a economia derrete e a gasolina aumenta”.

Anderlize Abreu, presidente municipal do PCdoB, disse que o partido aderiu à mobilização pelo momento delicado do país: “Precisamos de unidade, cautela e maturidade para defender o direito do povo. Temos divergências e vamos continuar tendo. Isso é a Democracia”, argumentou.

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