MBL e Vem pra Rua mantêm “Nem Lula nem Bolsonaro” na agenda

Apesar de mirarem em um ato unificado no próximo domingo (12/9), em defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua querem manter a pauta “Nem Lula nem Bolsonaro” em suas agendas.

Após relutância de segmentos da esquerda em aderir às manifestações, os movimentos retiraram o slogan das convocações oficiais, em uma tentativa de poupar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e angariar mais apoio, mas seguem defendendo uma alternativa a Lula e Bolsonaro, por considerá-los “opostos complementares”.

Segundo a porta-voz do Vem Pra Rua, Luciana Alberto, a pauta anti-Lula e anti-Bolsonaro deve retornar em manifestações futuras.

“Para domingo, foi determinado um grito de Fora Bolsonaro em uníssono. O Vem Pra Rua mantém ainda sua pauta original de ‘Nem Lula nem Bolsonaro’, porém neste domingo do dia 12 o nosso grito será ‘Fora, Bolsonaro’, apesar de mantermos nossa pauta ainda em atividade”, disse Luciana.

A colocação de Lula e Bolsonaro como opostos complementares é um dos fatores que dificulta a adesão do PT e outros segmentos da esquerda, que justificam que em seus 13 anos na Presidência, o partido não adotou discursos golpistas nem fez ameaças à democracia.

A narrativa de que os dois candidatos são correspondentes também vem sido adotada por outros presidenciáveis, como Ciro Gomes (PDT), que tenta se vender como alternativa para 2022 e flerta tanto com eleitores de Lula quanto de Bolsonaro.

Uma das principais lideranças do MBL, o vereador paulistano Rubinho Nunes (PSL), considera que o PT não tem interesse real no impeachment, pois a manutenção de um Bolsonaro fraco até 2022 pode ser benéfica para o projeto eleitoral petista.

“Acho que para o PT seria interessante a manutenção do Bolsonaro no poder. O Lula e o Bolsonaro, o petismo e o bolsonarismo são como Yin-Yang, um necessita do outro, um complementa o outro. Sem a existência do outro, eles perdem o sentido”, considera.

“Não há interesse real do Partido dos Trabalhadores no impeachment do Bolsonaro. Se houvesse, eles estariam realmente indignados, fazendo alguma coisa, mas na realidade não. Eles fazem algo de fachada, porque para eles é interessante manter o Bolsonaro respirando na Presidência até a eleição de 2022 para viabilizar o projeto do Lula”, continua.

O MBL, inclusive, adotou o trevo de três folhas, sinalizando a defesa da terceira via, como símbolo do movimento para o pleito presidencial de 2022. Camisetas e moletons são vendidos pelo movimento em seu site.

A porta-voz do Vem Pra Rua concorda com a avaliação de que o PT não tem interesse no impeachment. “O movimento entende que o PT nunca teve um legítimo interesse pelo impeachment do Bolsonaro, até porque o Lula se beneficia muito com a manutenção do Bolsonaro no poder, já que um sistema polarizado acaba sendo favorável a ambos num pleito eleitoral”, afirma Luciana.

“O PT jamais abraçou essa causa com o mesmo vigor com que abraçaria se houvesse ali um interesse legítimo, como acontecia há 20 anos atrás, por exemplo, em que eles se posicionavam realmente como uma oposição aos governos de situação.”


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Desde as primeiras convocações, o PT resiste em subir no palanque de movimentos que tiveram papel fundamental no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Mesmo sem convocar sua militância para os atos, e sem destacar lideranças para participação deles, o PT diz oficialmente não condenar a participação nas manifestações.

“Não estamos convocando para o dia 12, mas ninguém está impedido de participar de atos contra Bolsonaro. Achamos, entretanto, que só conseguiremos um movimento forte com a construção conjunta das forças de democráticas de um grande ato”, disse a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Um dos combustíveis para os atos de domingo foram as bandeiras antidemocráticas levantadas por apoiadores de Bolsonaro no 7 de Setembro. O próprio mandatário proferiu discursos de teor golpista, vistos por analistas e políticos como riscos iminentes de ruptura institucional.

Parte da esquerda que resiste em se colocar lado a lado dos movimentos de direita alega que eles têm responsabilidade na eleição de Bolsonaro e seguem se aliando a ele em pautas caras à esquerda.

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