Ministério Público abre investigação sobre falta de salva-vidas em praias de Fernando de Noronha


Procedimento foi instaurado nesta quinta (9). Na quarta (8), turista de Curitiba morreu após mergulho, na Cacimba do Padre. Várias praias da ilha não têm salva-vidas nem placas indicativas de perigo. Turista morreu após banho de mar na Cacimba do Padre
Ana Clara Marinho/TV Globo
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abriu, nesta quinta (9), uma investigação sobre a falta de salva-vidas em praias de Fernando de Noronha. Na quarta (8), um turista de 45 anos, de Curitiba (PR), morreu depois de um banho de mar, na Cacimba do Padre.
Esse não é o primeiro caso de problema com os visitantes nas praias. A causa da morte desse turista não foi divulgada pelo governo local, até a última atualização desta reportagem.
Além da falta de profissionais para prestar socorro em praias, o MPPE quer saber os motivos da ausência de placas. Em algumas localidades, não há sinalização sobre risco de banho ou de presença de animais, como tubarões.
“Nós instauramos um procedimento para saber por qual motivo não há salva-vidas nem placas indicativas que demonstrem o perigo das áreas”, informou o promotor Flávio Falcão.
Ele deu início ao trabalho, a partir de um levantamento de informações com o Corpo de Bombeiros e com a Administração da Ilha.
O Corpo de Bombeiros tem um grupamento em Noronha, mas os militares não estão em todas as praias. Eles ficam na Praia do Porto de Santo Antônio e na Praia da Conceição.
O G1 questionou os Bombeiros para saber por qual motivo não há efetivo nas outras praias, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.
Risco
A Praia Cacimba do Padre tem ondas de até quatro metros de altura, na temporada de surfe, de dezembro a março.
No período de mar calmo, de abril a novembro, são registradas fortes correntezas. Nesta praia não há bombeiros ou salva-vidas.
Os trabalhadores da área já perderam a conta das ocorrências de afogamento. “Já vi acidente, afogamento, incidente com tubarão, gente passando mal. Quantas pessoas precisam morrer para ter um socorro permanente na praia? Isso é necessário, principalmente na Cacimba do Padre”, relatou a vendedora Priscila Santana.
“Uma equipe de resgate faz muita falta na Cacimba do Padre. Não tem bombeiro, salva-vidas nem boia. Eu já fiz vários resgates. Quem faz o salvamento somos nós, trabalhadores da área”, disse o vendedor Ramon Rodrigues.
Os vendedores Ramon e Priscila já socorreram turistas
Ana Clara Marinho/TV Globo
Praia do Cachorro
Na Praia do Cachorro, também são comuns os casos de afogamento, principalmente de turistas. Nessa praia não existe equipe de socorro.
“Essa praia tem correnteza e são muitas ocorrências com turistas. Quando tem onda, é ainda pior. Não tem salva-vidas. Geralmente, quem faz o socorro é quem está na praia ou mora na região”, declarou a garçonete Michele Francisca da Silva.
Outros casos
Em dezembro de 2020, um turista do Recife morreu por afogamento em Fernando de Noronha. Segundo testemunhas, ele se afogou na Praia do Cachorro. O homem tinha 36 anos, foi socorrido, mas não resistiu.
Um turista do Rio de Janeiro morreu, em março de 2020, após tomar um banho de mar na Praia do Meio. As testemunhas informaram que o homem, que tinha 59 anos de idade, teria se afogado.
Já houve ocorrência com visitante estrangeiro. Em 2016, o turista da França Joseph Bernard Jean Marie, de 80 anos, morreu vítima de afogamento.
O francês estava na Praia Cacimba do Padre em companhia da mulher quando resolveu tomar banho de mar.
00:00 / 28:43
Vídeos mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Os comentários estão desativados.