ONU faz alerta sobre a tripla ameaça ambiental para os direitos humanos

As ameaças ao meio ambiente cada vez mais intensas constituem o “desafio mais importante para o exercício dos direitos humanos”, afirmou nesta segunda-feira (13) a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

A poucas semanas da conferência mundial sobre o clima COP26, em novembro, Bachelet pediu uma “ação climática mais ambiciosa” contra o aquecimento global, a poluição e a perda da biodiversidade.

As crises interdependentes vinculadas com a poluição, a mudança climática e a biodiversidade multiplicam as ameaças, amplificando os conflitos, as tensões e as desigualdades estruturais, o que deixa as pessoas cada vez mais vulneráveis”, declarou Bachelet na abertura da 48ª sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra.

“Com a intensificação, estas ameaças ao meio ambiente constituirão o desafio mais importante para o exercício dos direitos humanos de nossa era”, afirmou.

Bachelet destacou que a “tripla crise planetária”, em grande medida provocada pela ação do homem, já tem um impacto amplo e direto sobre uma série de direitos humanos, como “os direitos a uma alimentação adequada, à água, educação, moradia, saúde, ao desenvolvimento e inclusive à vida”.

A poluição “é a causa de uma a cada seis mortes mortes prematuras”, disse.

Bachelet enumerou uma lista de crise ambientais, incluindo, entre outras, a fome em Madagascar, a desertificação no Sahel, a escassez de recursos hídricos no Oriente Médio, os incêndios na Sibéria e na Califórnia e as inundações na China e Alemanha.

“Abordar a tripla crise ambiental mundial é um imperativo e é “alcançável”, disse.

– Xinjiang –

Bachelet afirmou que a humanidade enfrenta ainda outras violações dos direitos humanos.

A ex-presidente do Chile lamentou não ter acesso significativo à região chinesa de Xinjiang, onde vive a etnia muçulmana uigur, e disse pela primeira vez que seu escritório está “finalizando a avaliação das informações disponíveis sobre as denúncias de graves violações dos direitos humanos nesta região, para divulgar publicamente”.

A China rejeita uma investigação em Xinjiang.

O governo dos Estados Unidos, com base em estudos de investigadores ocidentais, acusa a China de ter internado mais de um milhão de uigures em “campos” de Xinjiang. Pequim nega o número e afirma que estes são “centros de formação profissional”.

– Palestinos –

Bachelet também chamou a atenção do Conselho sobre a “continuidade e multiplicação dos casos de uso excessivo da força, ou totalmente injustificável, contra civis palestinos por parte das forças de segurança israelenses”.

Desde janeiro, 54 palestinos, incluindo 12 menores de idade, morreram em ações das forças israelenses na Cisjordânia ocupada, um número que representa mais que o dobro de todo o ano de 2020.

Além disso, mais de 1.000 pessoas foram feridas por tiros.

Bachelet também expressou profunda preocupação com as “medidas de repressão da dissidência adotadas nos últimos meses” pelas autoridades palestinas. Ela disse que teme um agravamento da situação.

A ex-presidente chilena denunciou em particular “o uso injustificado” da força por parte da polícia palestina durante as manifestações que ocorreram após a morte de Nizar Banat, um militante crítico da Autoridade Palestina que faleceu em junho pouco depois de ser preso.

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