Ou a oposição se une para derrotar Bolsonaro ou ele se reelege

Ainda não foi desta vez, mas quem sabe da próxima? Se Lula negocia com partidos e políticos de direita e diz que governará com eles caso se eleja presidente na eleição do ano que vem, por que ele e os que o apoiam não podem marchar nas ruas ao lado dos que se arrependeram de ter votado em Jair Bolsonaro?

Foi um fiasco a manifestação convocada pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua. Na Avenida Paulista, onde, no último dia 7, cerca de 140 mil pessoas ouviram o presidente chamar de canalha o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, apenas seis mil gritaram “Fora Bolsonaro”.

É verdade que o governo federal tem a força da máquina e do dinheiro a seu favor e que o MBL e o Vem Pra Rua não têm nada. Mas é verdade também que grande parte da gente atraída pelos dois movimentos para derrubar a presidente Dilma em 2016 segue ao lado do presidente da República no pior momento que ele vive.

Ciro Gomes, aspirante a candidato do PDT à vaga de Bolsonaro, esteve lá, bem como o governador João Doria (PSDB), o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM), os senadores Simone Tebet (MDB-MT) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e os deputados Orlando Silva (PC do B-SP) e Marcelo Ramos (PL-AM).

Mas isso não significa que militantes e eleitores desses partidos compareceram. “Para proteger a democracia brasileira temos que juntar todo mundo”, discursou Ciro. “Temos que estar juntos para formar uma grande frente democrática”, repetiu Doria. Um boneco gigante inflado mostrou Bolsonaro e Lula enganchados.

Não basta que o boneco desapareça para que a “grande frente democrática” se torne possível. Ou se faz o entendimento entre todos que se opõem ao presidente ou ele poderá se reeleger ou tentar dar um golpe. O entendimento não passa necessariamente pela supressão de candidaturas já postas.

Pelo menos quatro parecem irremovíveis: Lula, Bolsonaro, Ciro e Doria. Dessas, três querem Bolsonaro fora já, via impeachment, ou daqui a pouco mais de um ano pelo voto. O que impede um acordo entre os três para que se pouparem de ataques mútuos e concentrem fogo em Bolsonaro, o inimigo comum?

Há uma variável que marca todas as eleições presidenciais brasileiras desde o fim da ditadura militar de 64: o PT tem lugar garantido no segundo turno. Mas há outra desde que por aqui foi introduzida à reeleição: o candidato à reeleição se reelege. Bolsonaro vai de mal a pior, mas não está morto.

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