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Órgãos de suínos em humanos: pesquisas sobre xenotransplante avançam

Senador Astronauta Marcos Pontes com a geneticista Mayana Zatz e o médico Silvano Raia no estúdio do AstroPontes PodcastDivulgação

O xenotransplante pode reduzir as filas e a espera por doação de órgãos no Brasil. O método que usa órgãos de suínos em humanos já é realidade nos Estados Unidos. Dois cientistas brasileiros, o Dr. Silvano Raia e a geneticista MayanaZatz, trabalham para viabilizar no Brasil. Eles desenvolvem pesquisas no Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP). 

Atualmente, 42.111 pessoas aguardam na fila de transplante de órgãos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. A maior fila é de pacientes que precisam de um rim – são 38.927 pessoas. Em segundo lugar, vem o fígado, com 2.197 na fila. Apesar do Brasil ser referência em transplantes, as filas de espera são grandes e a disponibilidade de órgãos é menor que a demanda. É aí que entra o xenotransplante como alternativa para salvar vidas. 

Para saber sobre os avanços da pesquisa, convidei o Dr. Silvano Raia e a professora MayanaZatz para o AstroPontesPodcast, desta semana. O médico contou como nasceu a ideia de iniciar as pesquisas no Brasil. “Uns 8 anos atrás eu me entusiasmei com a ideia e fui aos Estados Unidos e me convenci do que ainda muito poucos tinham se convencido. Voltei ao Brasil, procurei a professora MayanaZatz, que eu não conhecia, ela também se entusiasmou e estamos coordenando esse projeto”. 

O Dr. Silvano explicou que o suíno transformado geneticamente é um doador universal. “Nós estamos fazendo experiências pré-clínicas de coração, rim, pele para queimados e córnea. Fala-se muito em alguns centros americanos no aproveitamento também do sangue.”

O suíno tem órgãos mais semelhantes aos dos seres humanos, só que se você simplesmente transplantar um órgão de um suíno para um ser humano, você terá uma rejeição enorme. O que a ciência e a tecnologia podem resolver. “A gente consegue identificar no suíno os genes que produzem proteínas que causam essa rejeição hiperaguda. Com a nova tecnologia de edição genética, conseguimos silenciar esses genes e produzir clones geneticamente modificados que não produzem essas proteínas que causam rejeição dos órgãos, quando são transplantados para humanos. Foram justamente essas grandes descobertas que nos permitiram chegar nesse ponto” descreveu MayanaZatz. 

O Dr. Silvano Raia contou que em breve serão inauguradas as chamadas pigfacilities. “São biotérios que devem produzir animais estéreis do ponto de vista de infecção, não de reprodução, e que exigem uma série de cuidados, como temperatura, umidade e dieta estéril, sem resíduos proteicos para não transmitir doenças.”

Uma outra questão a ser resolvida nesse caminho até a implantação do xenotransplante no Brasil é a das raças a serem utilizadas. No Brasil, os suínos chegam a pesar 200, 250 kg porque os criadores visam mais a carne. Para o xenotransplante, devem ter em torno de 80 kg. Segundo o Dr. Silvano Raia, existem algumas raças fora do Brasil. “Na Nova Zelândia há uma raça, a KuneKune, e nos Estados Unidos, a Yucatan, esses animais não crescem além de 80 kg, então nós teremos que importar”, resumiu o médico. 

Essa é uma das razões da minha luta por mais investimentos em ciência e tecnologia no Brasil. Como ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações liberamos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), composto por contribuições do setor privado, para fomentar a pesquisa. O que não estava acontecendo. Hoje, o ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações tem recursos para investir em vários setores.

Agora, sigo na mesma luta no Senado. No meu primeiro ano de mandato, apresentei a PEC 31, um projeto de emenda constitucional que prevê aumento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de 1,14% para 2,5% do PIB, em 10 anos. Essa proposta representa um passo fundamental e uma oportunidade única de colocarmos o nosso país entre as nações mais avançadas em pesquisa e inovação. Para que se tenha uma ideia, a Coreia do Sul, por exemplo, destina em torno de 5% do PIB e Israel, também. Não por acaso todo desenvolvimento econômico e social que eles têm. Eles investem de forma inteligente e continuada em pesquisa e desenvolvimento. E o Brasil pode e deve chegar lá. 

“A única possibilidade que eu vejo é fomentar e apoiar quem faz pesquisa no Brasil. Nesse grupo estamos demonstrando que é possível também na área médica desenvolver pesquisas na fronteira do conhecimento,” concordou o médico Silvano Raia. 

Os dois cientistas estão otimistas, acreditam que o xenotransplante deve ser um procedimento habitual no Brasil dentro de 3 a 5 anos. Segundo eles, o critério de indicação também vai mudar porque hoje só se indica transplante quando o doente está realmente numa fase final e, portanto, com sequelas em todos os órgãos. Se houver órgãos, haverá um critério de indicação mais liberal. 

Deixo aqui a frase final do Dr. Silvano Raia no AstroPontesPodcast. Uma frase sábia de quem tem 93 anos e vasta experiência em ciência: “eu queria que todos vocês que estão nos ouvindo lembrassem que o progresso da cirurgia ocorreu sempre à custa da correção, de erro, de insucesso. Vamos ter fé.”

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