Carros de luxo, álcool e velocidade: o que aconteceu com brasileiros que cometeram homicídios no trânsito


O Profissão Repórter desta terça-feira (21) destacou casos de imprudência no trânsito que tiveram repercussão no país e ouviu os familiares e amigos que perderam seus entes queridos em acidentes fatais. Edição de 21/05/2024
Em apenas um ano, cerca de 10 mil brasileiros morreram em acidentes causados por motoristas alcoolizados. O Profissão Repórter desta terça-feira (21) destacou casos de imprudência no trânsito que tiveram repercussão no país e ouviu os familiares e amigos que perderam seus entes queridos em acidentes fatais. Saiba mais abaixo:
Caso da Porsche em SP
Profissão Repórter repercute acidente que causou a morte de motorista de aplicativo em SP
Em São Paulo, o condutor da Porsche que bateu em um carro e causou a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva dirigia a mais de três vezes acima do limite da via, que é 50 km/h.
Fernando Sastre, de 24 anos, foi preso preventivamente. Ele responde pelos crimes de homicídio doloso com dolo eventual, quando se assume o risco de matar e lesão corporal gravíssima pelos ferimentos causados ao amigo Marcos Rocha, de 22 anos, que estava no banco de carona.
Ao Profissão Repórter, o advogado de Marcos, contou o que ouviu do seu cliente:
“Os policiais foram até o hospital para colher o depoimento dele e ele, desde o primeiro momento, disse tudo o que sabia: que todos eles tinham consumido bebidas alcoólicas“, disse o advogado, José Roberto Soares Lourenço.
Um vídeo gravado pela namorada de Marcos na noite da batida, mostra Fernando com a voz arrastada, dentro do carro. A defesa de Fernando Sastre nega que ele tenha bebido no dia do acidente. “O mais importante é que você percebe que eles estão brincando ali”, afirmou Jonas Marzagão, advogado de Fernando Sastre.
Profissão Repórter repercute acidente que causou a morte de motorista de aplicativo em SP
Reprodução/TV Globo
Outro caso de Porsche em BH
Motorista de Porsche provocou acidente que matou seu amigo e passageiro do veículo em BH
Mas o caso de Ornaldo não é uma exceção. Em Belo Horizonte, um outro Porsche bateu em um poste de energia e uma árvore. O carro era dirigido por Rodrigo Chiatti, de 32 anos. Ao lado dele, no banco do passageiro, estava Cayke Pelegrino Tavares, também de 32 anos. Com o impacto, ele foi arremessado para fora do veículo e morreu na hora.
As investigações comprovaram que Rodrigo dirigia a 200 km/h. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Os policiais que registraram a ocorrência descreveram sinais que indicavam consumo de algo, como, por exemplo, fala desconexa, andar cambaleante, olhos avermelhados e hálito de bebida.
“É bom ressaltar, em relação a esse ponto, que a partir de 2012, a lei 12.760 trouxe instrumentos para que o policial possa aferir quais os sintomas que ele verifica que aquele individuo está apresentando naquele momento, quando o individuo se nega a fazer o teste do etilômetro”, explicou o delegado, Rodrigo Fagundes.
Diferentemente do caso de São Paulo, Rodrigo foi preso em flagrante. Após conseguir um habeas corpus, ele foi liberado e responde em liberdade. Um pedido de prisão preventiva foi solicitado e aguarda a decisão do poder judiciário para ser efetivada.
O Profissão Repórter tentou contato com a defesa de Rodrigo, mas não obteve retorno.
Caso Larissa
Caso Larissa: jovem que morreu em acidente em BH deixou uma filha de oito meses
Também preso em flagrante em Belo Horizonte, Marcus Ricardo de Souza apresentava olhos avermelhados, hálito etílico e desequilíbrio após bater na moto em que estava Larissa Rodrigues de Assis, de 27 anos. O acidente fatal aconteceu em março de 2023.
Larissa estava na garupa da moto de uma amiga, quando as duas foram atingidas pelo carro de Marcus, em alta velocidade vindo na contramão. Larissa morreu no hospital. Recém-formada em Direito, ela deixou uma filha de oito meses que hoje vive com o pai, Rafael Silva.
“Hoje a gente está estruturado, digamos assim, pelo que aconteceu há um ano, mas, dentro da gente, ainda existe muita dor. Minha filha, então, não tem nem como explicar. Só eu sei o que eu passo com ela. Na época, então, ela ficou 15 dias sem comer, porque ela sentia falta da mãe. Eu tinha que deixar roupas da Larissa do lado para ela conseguir dormir”, relatou Rafael.
Caso Larissa: jovem que morreu em acidente em BH deixou uma filha de oito meses
Reprodução/TV Globo
Marcus fez o pagamento da fiança e agora responde o processo em liberdade, mesmo assumindo que tinha ingerido bebida alcóolica no dia do acidente. O advogado da família de Larissa não concorda com a classificação do crime como homicídio culposo quando não há intenção de matar e sob a influência de álcool.
“Ele já tinha participado de um outro acidente de trânsito, onde tinha uma vítima que ele estava no carro de luxo, em uma BMW e ele fez uma vítima, que estava em uma moto e ficou acamada 30 dias no CTI”, destacou o advogado, Thiago Calazans.
Caso Larissa: jovem que morreu em acidente em BH deixou uma filha de oito meses
Reprodução/TV Globo
A família pede na Justiça uma indenização de R$ 5 mil. A reportagem entrou em contato com Marcos, mas ele preferiu não se manifestar sobre o caso.
Caso emblemático em SP: motorista atropelou três pessoas e fugiu
‘Passou por cima e foi embora’: após beber em bar, homem saiu dirigindo e atropelou três pessoas em SP
Um dos casos mais emblemáticos do levantamento feito pela equipe do Profissão Repórter aconteceu em uma rua em São Paulo na madrugada do dia 1º de setembro de 2018. Após beber em um bar, um homem saiu dirigindo o carro dele e atropelou três pessoas. O motorista foi embora sem prestar socorro, mas cruzou com policiais militares que desconfiaram da situação do carro, que estava destruído. Ele fugiu, foi perseguido e preso em flagrante.
“O carro veio em alta velocidade e passou por cima das três pessoas que estavam aqui. Foi um Deus nos acuda. O motorista passou por cima e foi embora”, relatou Ednalva Pereira, empresária e testemunha.
Os PMS relataram que Marcelo tinha sinais de embriaguez como forte odor de álcool, cambaleava e chegou a dormir dentro da viatura. O motorista foi liberado depois de pagar uma fiança de R$ 9 mil. Um dos atropelados, Marcos José Moralejo, de 55 anos, foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
“Ele era um trabalhador, saia todos os dias para trabalhar de manhã. Foi um choque”, contou Margarete Bermudi, ex-esposa da vítima.
Marcos José Moralejo
Reprodução/TV Globo
O Ministério Público, inicialmente, denunciou o motorista por homicídio culposo, mas, o juiz do caso entendeu que ele assumiu o risco de matar ao beber e acelerar em direção às pessoas. Ele foi denunciado de novo, dessa vez por homicídio doloso. Em novembro do ano passado, a Justiça decidiu que ele iria à júri popular, mas a defesa recorreu. Com base na mudança no Código Brasileiro de Trânsito, o Tribunal voltou a interpretar o caso como homicídio culposo quando o motorista não tem a intenção e nem assume o risco de matar. Nesse, a pena é menor.
Em nota, a defesa do motorista afirmou que a Justiça foi feita pelo poder judiciário a desclassificar o crime denunciado pelo Ministério Publico de homicídio doloso para culposo. Mais de cinco anos depois do crime, ainda não há data para o julgamento e o motorista responde em liberdade.
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