Delegado confirma as quatro prisões da Operação Presságio; veja quem são

Foto: Reprodução/Redes sociais

Ed Pereira e outros três ex-servidores da Prefeitura de Florianópolis foram presos nesta manhã

O Delegado Geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Guimarães, confirmou à TVBV os quatro alvos dos mandados de prisão cumpridos na segunda fase da Operação Presságio, deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira (29).

Além do ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte Ed Pereira, foram presos também Renê Raul Justino, ex-diretor de projetos da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFK); Cleber José Ferreira, coordenador técnico da organização social Futebol da Inclusão e também atuou como diretor administrativo e financeiro no setor de licitações da Prefeitura da Capital, exonerado em 2016; e Lucas da Rosa Fagundes, exonerado em 2022 do cargo de gerente de projetos esportivos da Fundação Municipal de Esportes.

 

A Operação Presságio apura a suposta prática dos crimes ambiental de poluição, fraude à licitação, corrupção passiva, corrupção ativa, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cometidos, em tese, por agentes públicos, em conluio com particulares.

> Operação Presságio: áudios revelam funcionamento de suposto esquema criminoso

A operação corre em sigilo de justiça, mas novos detalhes devem ser divulgados em breve pela Polícia Civil.

Entenda a operação

As investigações tiveram início em 2021 a partir do despejo indevido de lixo realizado pela empresa de coleta Amazon Fort no terreno ao lado da passarela Nego Quirido, no Centro de Florianópolis. A empresa recebeu da Prefeitura, em 17 meses do contrato, R$ 29 milhões.

As investigações da Polícia Civil apontou indícios de outras ilegalidades em contratos públicos e repasses de dinheiro entre empresas, organizações sociais, empresários, e servidores públicos da Capital.

Na primeira fase da Operação Presságio, deflagrada em 18 de janeiro com o cumprimento 24 mandados de busca, perícias levantaram uma série de informações em celulares, computadores e documentos apreendidos. Entre elas, diversos áudios que revelam um suposto esquema criminoso de desvio de dinheiro de organizações sociais financiadas pela Prefeitura, além de outros envolvidos.

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Já em 19 fevereiro, o Juiz da Vara Criminal da Região Metropolitana da Comarca da Capital, Elleston Lissandro Canali, decidiu pelo afastamento, por tempo indeterminado, de Ed Pereira, Fábio Braga, ex-secretário do Meio Ambiente, e Samantha Brose, esposa de Ed.

O que dizem as defesas

Renê Raul

“A defesa de Renê Raul  recebe com veemente irresignação e preocupação com o Estado Democrático de Direito essa nova medida extrema em face de seu constituinte. Quanto a primeira medida, já havia recentemente se manifestado nos autos exigindo a nulidade na prova decorrente da busca e apreensão de seu aparelho celular, diante da comprovada ausência do cumprimento do dever de esclarecimento ao acusado de seus direitos constitucionais ao silêncio, de não produzir provas contra si mesmo e de consultar seu advogado.

Entende a defesa técnica, nos termos e fundamentos da petição que acompanha na íntegra a presente nota que naquela ocasião, na presença de delegado e escrivã de polícia, Renê foi questionado (e portanto, efetivamente interrogado), a fim de esclarecer “onde estaria seu celular” e “qual seria a senha”, caracterizando verdadeiro interrogatório. A petição referida foi há poucos dias indeferida pelo juiz de piso e contra tal decisão recorreremos até o Supremo Tribunal Federal se necessário for, diante da clarividência de tamanha ilegalidade.

Quanto a medida de hoje, sua nulidade decorre do que chamamos da “teoria do fruto da árvore podre” ou seja, uma vez embasada em provas obtidas por meio ilícito, trata-se de medida igualmente arbitrária e ilegal. Surpreende, em ambos os casos, o mais absoluto destemor das autoridades policiais e políticas na promoção destas medidas contra o ex-secretário Ed Pereira, sua esposa e seus aliados próximos, sempre vinculados não coincidentemente a decisões políticas pessoais deste grupo; primeiro em não se filiar ao Partido Liberal do governador Jorginho Melo e agora diante da ruptura entre o ex-prefeito Gean Loureiro e seu ex e agora atual Prefeito Topazio Neto.

Não é difícil concluir que estamos a passos largos de um Estado Policialesco, pois não por outro motivo essa nota encontrará eco nas páginas políticas dos periódicos mais sérios deste país, e não de suas páginas policiais. São tempos difíceis e tempos difíceis precisam de jornalistas e advogados comprometidos com a liberdade de expressão e do exercício dos direitos e garantias constitucionais de qualquer cidadão, e neste caso de Renê Raul Justino.”

O portal TVBVonline está tentando o contato com a defesa dos demais acusados.

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