Partidos reagem à postura de Bolsonaro nas manifestações

Há um consenso nas críticas ao discurso antidemocrático, mas as legendas estão divididas sobre se é o momento de aumentar a pressão pelo impeachment. Partidos políticos reagiram à postura de Bolsonaro nas manifestações
Partidos políticos reagiram à postura do presidente Bolsonaro nas manifestações.
Senadores cobraram uma ação conjunta do Legislativo e do Judiciário contra os atos antidemocráticos do presidente Jair Bolsonaro.
O senador Jaques Wagner, do PT, disse que “a postura do presidente é marginal à lei. Nossa reação tem que ser por meio da lei e das instituições. Não há outra saída senão o impeachment. Cabe à Câmara tomar essa atitude”.
A senadora Simone Tebet, do MDB, foi na mesma linha: “Mais que voz institucional, o momento exige ação dos Poderes Judiciário e Legislativo porque as palavras do presidente têm feição de atos – e atos inconstitucionais. Ele não as diz por coragem, mas por medo. Nós temos de mostrar coragem não só para falar, mas para agir”.
O senador Tasso Jereissati, do PSDB, afirmou que: “neste momento, é fundamental uma reação firme dos partidos políticos, que necessitam estar unidos na defesa e preservação das instituições, e no fortalecimento de nossa democracia”.
Vários partidos se reuniram nesta quarta-feira (8) para discutir que posição vão tomar diante das manifestações do presidente Bolsonaro. Há um consenso nas críticas ao discurso antidemocrático, mas as legendas estão divididas sobre se é o momento de aumentar a pressão pelo impeachment.
Nesta quarta-feira, a Câmara já tem 131 pedidos em análise. Cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira, autorizar ou não a abertura do processo.
Muitos deputados cobraram uma posição mais clara do presidente da Câmara.
“Nós precisávamos que o presidente Arthur Lira falasse com força que não aceita o presidente da República anunciar que vai agir fora da lei. E a forma como nós vamos tensionar o presidente da Casa é que tenha abertura de um processo de impeachment que, até agora, não tomou iniciativa. Nós vamos continuar cobrando do presidente Arthur Lira para que ele abra o processo de impeachment”, afirmou o deputado Bohn Gass, líder do PT.
O PSDB, que tinha posição independente, decidiu ir para a oposição ao governo Bolsonaro. O presidente nacional do partido, Bruno Araújo, disse que não há dúvida de que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao declarar que não vai cumprir decisões do Supremo.
“Um eventual processo de impeachment envolve diversos requisitos. Um deles, é o crime de responsabilidade. Outro é apoio no Congresso, apoio popular, ou seja, um ambiente de um conjunto de temperaturas e pressão que permita isso. E essa discussão e esse debate se inicia e se transfere nesse momento para a força política legítima do partido, que são as bancadas na Câmara e no Senado. É unânime no PSDB o reconhecimento de que há um crime de responsabilidade, que se passou de todos os limites constitucionais possíveis dessa relação de convivência”, declarou.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse em entrevista à GloboNews que o partido estudar apoiar um processo de impeachment de Bolsonaro.
“Ontem foi um dia em que a temperatura da crise política subiu muito. É evidente, todos assistiram às manifestações do presidente e ele sinaliza que vai avançar o sinal no que diz respeito às relações com o Poder Judiciário, com as outras instituições, e isso é muito grave. Ele está avançando o sinal. Se ele cruzar o semáforo, ele vai inquestionavelmente estar incorrendo num crime de responsabilidade e, portanto, haverá todas as condições de abrir um processo de impeachment”, enfatizou.
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