Pesquisa da USP São Carlos usa luz e imunoterapia para eliminar o vírus HIV do corpo


Anticorpo com moléculas sensíveis à luz se liga a vírus e células infectadas, destruindo o HIV por meio de iluminação específica. Pesquisadores da USP de São Carlos desenvolvem novo tratamento para o HIV
Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma nova abordagem para combater o vírus da Aids, utilizando uma técnica de luz e imunoterapia.
Os cientistas, em parceria com pesquisadores da Inglaterra, desenvolveram dois tipos de tratamento com base em fotoimunoterapia, utilizando anticorpos iguais aos presentes no corpo humano, tendo em seu interior fotossensibilizadores que têm a particularidade de combater não só as células infectadas com o vírus HIV, mas também neutralizando o vírus circulante, que é fonte de novas infecções.
O estudo ainda está na fase inicial, é preciso realizar os testes em animais e, na sequência, em humanos.
Instituto de Física de São Carlos, no campus da USP
Reprodução/Google Mapas
Tratamento diferente do fármaco
Ao contrário do que acontece com a ingestão dos remédios, conhecidos como ‘coquetel’, e que atuam principalmente no vírus circulando no sangue dos pacientes, a abordagem feita por pesquisadores da Inglaterra tem como base a ligação de fotossenbilizadores (molécula ativa) que foram introduzidos no interior de um anticorpo.
Quando iluminado por um tipo específico de luz, os fotossensibilizadores têm a propriedade de gerar uma quantidade grande de espécies reativas que produzem a morte da célula alvo e a inativação do vírus circulante.
Segundo os pesquisadores, o anticorpo atua com altíssima especificidade e é interpretado pelo organismo humano como se fosse real, proporcionando uma baixa resposta autoimune.
“A gente ligou moléculas que são chamadas de fotossensibilizadores ao anticorpo. O anticorpo só serve para encontrar o alvo, enquanto o alvo são as células doentes ou o vírus. Agora, uma vez esse anticorpo está ligado ao vírus e a célula doente, a gente ilumina esse anticorpo, carregando esse fotossensibilizador e esse fotossensibilizador vai gerar espécies reativas que destroem as proteínas de membrana, rompem a membrana das células e mata o vírus”, disse o pesquisador Francisco Eduardo Gontijo Guimarães.
Pesquisador da USP explicando como funciona o novo tratamento para pacientes com HIV
Marlon Tavoni/EPTV
A segunda abordagem do estudo foi ligar os fotossensibilizadores na estrutura externa do anticorpo, assim, eles teriam capacidade de carregar entre um a quatro fotossensibilizadores.
“Aqui no Brasil a gente usou um outro fotossensibilizador, só que a gente variou o número de fotossensibilizadores ligado ao anticorpo para gente otimizar o processo e, também, o rendimento para danificar as células”.
“No caso dessa imunoterapia, a gente não quer que esse medicamento vá para o corpo todo. A gente que levar só nas células infectadas, diminuindo, então, a dosagem de fármacos que essas pessoas, no tratamento, utilizam ao longo da vida”, finalizou o pesquisador.
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