Pior que o Saara: umidade relativa do ar segue em nível crítico em BH

A umidade relativa do ar (UR) em Belo Horizonte chegou a níveis equiparáveis ao clima de deserto neste sábado (18/9). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o índice chegou a 19%. Já o meteorologista Ruibran dos Reis cravou que a marca foi de 13%. E aí vale a máxima: nada está tão ruim que não possa piorar. A previsão para este domingo (19/9) é que o índice da UR fique em um patamar ainda mais crítico, entre 9% e 12%, como afirma o meteorologista.

Ruibran explica que a situação é consequência de uma massa de ar quente e seco, o que ele chama de uma bolha de calor, que está atuando em Minas Gerais desde o início de setembro. Segundo ele, essa época do ano é normalmente seca, com baixa umidade, um indicativo que vem desde agosto. Mas está piorando a níveis pouco vistos até então.

Esse é um dos menores índices registrados nos últimos anos e, entre segunda-feira (20/9) e terça (21), o tempo seco deve persistir e pode ainda se agravar, ficando na casa dos 9%. Apenas a partir da próxima quarta-feira, lembra Ruibran dos Reis, essa massa quente deve enfraquecer, com a passagem de uma frente fria pelo litoral do Sudeste, mudando a circulação do ar, gerando mais umidade para Belo Horizonte e região.

A previsão do tempo para este domindo é de sol em todo o estado. O Triângulo Mineiro deve ter termômetros batendo os 38º, e em Maria da Fé, no Sul de Minas, a temperatura mínima aferida foi de 14º. Em Belo Horizonte, marcações entre 18º (constatados na Pampulha) e 34º. E por enquanto, na capital, nada de chuva.

FUMAÇA

BH e cidades do entorno amaheceram cobertas por uma grande massa de fumaça. Segundo Ruibran dos Reis, é o resultado das queimadas que vêm acontecendo em muitas regiões do estado nos últimos dias – neste fim de semana, uma ocorrência importante aconteceu na BR-381. É um fenômeno conhecido por inversão térmica que, em uma explicação didática, significa que a fumaça ficou retida nas primeiras camadas da atmosfera, devido a diferenças na densidade do ar.

No fim das contas, uma enorme quantidade de poluição que não se dissipou. Um efeito que acontece mesmo se no momento não são registradas queimadas próximas – na verdade, fruto de um período significativo de acúmulo da fumaça e da poluição.

Ainda que o domingo tenha começado sem ocorrências relevantes de incêndios ou queimadas, como informa o Corpo de Bombeiros, o clima extremamente seco propicia a propagação do fogo, e a tendência é que surjam novos focos. Minas Gerais vem experimentando a maior temporada de incêndio em 10 anos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 20% e 30% de umidade relativa do ar é estado de atenção; abaixo de 20% é estado de alerta. O nível ideal de umidade do ar para o organismo humano gira entre 40% e 70%. A título de comparação, cidades no deserto africano do Saara comumente registram umidade entre 14% e 20% e, em São Pedro do Atacama, no Chile, isso também é recorrente – na região, nesta sexta-feira (17/9), o índice foi de 8%.

Geralmente, idosos e crianças são as pessoas que mais sentem os efeitos negativos da secura, sendo os principais reflexos na saúde o agravamento de doenças respiratórias, para a população em geral.

Para evitar complicações, a Defesa Civil recomenda: hidratação durante o dia; dar preferência a alimentos leves e frescos, como saladas, frutas, carnes grelhadas; evitar frituras; dormir em local arejado e umedecido por aparelhos umidificadores, ou colocar uma bacia com água no cômodo; evitar atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre 10h e 17h; evitar banhos com água quente, para não potencializar o ressecamento da pele (se necessário, usar hidratante); e procurar um especialista no caso de problemas respiratórios mais graves.

*Em caso de incêndio em mata ou floresta, avise imediatamente ao Corpo de Bombeiros (193), Defesa Civil (199) ou Polícia Militar (190).

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