População negra morreu 1,7 vez a mais de Covid- 19 do que população branca no Itaim Bibi em 2021, diz pesquisa


Mapa da Desigualdade, da Rede Nossa São Paulo, mostra que negros morreram mais de Covid-19 do que os brancos mesmo nos bairros mais ricos da cidade de SP. Coveiros usando roupas protetoras enterram vítima de Covid-19 no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, em 25 de dezembro.
Amanda Perobelli/Reuters
O bairro do Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, registrou 1,7 vez mais mortes de Covid-19 de negros do que de brancos neste ano. O levantamento foi feito pela Rede Nossa São Paulo entre janeiro e julho de 2021.
Os dados do Mapa da Desigualdade, publicados na manhã desta segunda-feira (13), mostram que entre a população negra, 47,6% das mortes ocorreram por causa da Covid-19; já entre a população branca, foram 28,1%.
A pesquisa mostra que negros morreram mais de Covid-19 mesmo nos bairros mais ricos da capital paulista. E o Itaim Bibi, mesmo sendo considerada uma região de menor vulnerabilidade socioeconômica, apresenta uma diferença entre a proporção da população preta e parda que morreu em decorrência da doença.
No Cambuci, no Centro da capital paulista, aparece em segundo lugar no ranking dos bairros onde foi registrada a maior diferença. Enquanto 48,1% da população negra morreu de Covid-19, o índice da população branca foi de 29,1, uma diferença de 1,66 vez.
Em Pinheiros, na Zona Oeste, o desigualtômetro, que mostra a da diferença de mortes entre as raças, foi de 1,63. Enquanto 50% dos negros morreram com o novo coronavírus, apenas 30,7% dos brancos foram vítimas fatais.
Na Zona Norte de São Paulo, o bairro da Vila Guilherme registrou a maior diferença, de 1,27 vez. Entre janeiro e julho, as mortes por Covid-19 entre os negros foi de 50% e 39,3% entre os brancos.
O bairro do Carrão, na Zona Leste, teve 46,2% das mortes de negros e 37,4% de brancos, uma diferença de 1,23 vez.
Se considerarmos toda a cidade de São Paulo, a diferença das mortes por Covid entre negros e brancos foi de 0,99 vez. No entanto, neste caso, vemos que a maioria das mortes foi de brancos, 38% da população, contra 37,7 da população preta e parda.
Proporção de mortes entre negros e brancos na cidade de SP, segundo Rede Nossa SP
Divulgação
Renda x mortalidade
O estudo mostra que existe uma relação clara entre a menor renda e o maior coeficiente de mortalidade, mesmo entre os mais jovens, que não são considerados grupo de risco para a doença, devido a exposição por maior tempo em deslocamentos no transporte público da população mais pobre.
Lajeado, no extremo Zona Leste, por exemplo, está entre os dez distritos com maior tempo médio de deslocamento de casa até o trabalho. Quem vive lá demora 2,1 vezes mais que a população de Alto de Pinheiros para chegar ao trabalho.
Alto de Pinheiros (R$ 10.495,51) concentra quase 4 vezes mais renda que Lajeado (R$ 2.876,26), o coeficiente de mortalidade de Lajeado é 5 vezes maior que o de Alto de Pinheiros.
De janeiro a julho de 2021, em Lajeado, o coeficiente de mortalidade por Covid-19 entre a população com menos de 60 anos foi de 114,3 por 100 habitantes. Enquanto isso, Alto de Pinheiros, que concentra a maior renda média familiar mensal e a mortalidade foi de 28 a cada 100 habitantes com menos de 60 anos.
Os idosos, considerados grupos de risco para Covid, também sofrem com a desigualdade de renda.
Segundo o estudo, apesar das regiões com maior concentração de renda possuírem um perfil etário também mais alto –ou seja, os bairros mais ricos têm mais idosos–, devido às condições de qualidade de vida, eles morrem menos.
Na comparação entre Lajeado e Pinheiros, os idosos mais pobres morrem 2,43 mais do que os mais velhos abastados.
Mapa da renda média da população de SP
Divulgação
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