Preço dos carros dispara: inflação, falta de insumos, lucro de acionistas…

A Volkswagen lançou o novo SUV médio da marca, o Taos, há apenas três meses. Ele veio para se tornar o “irmão do meio”, posicionado entre o T-Cross e o Tiguan. Pois bem: a empresa acaba de anunciar reajustes de quase R$ 5 mil nas versões Comfortline e Highline. Em algumas lojas, a de entrada pulou de R$ 155 mil para R$ 160 mil; a topo de linha foi R$ 181,8 mil para R$ 187 mil. O problema seria simples se esses reajustes afetassem apenas os produtos da VW. Bastaria deixar de comprá-los. Mas não é. 

A soma da pressão inflacionária nos custos de produção com a falta de oferta (exatamente em razão do sumiço de insumos, como semicondutores) dá nisso. O aço, matéria-prima básica de qualquer carro, subiu neste ano 30%. Junte também desvalorização cambial e combustível caro. 

Sem falar, claro, no lucro dos acionistas: um Fiat Doblò, versão Essence, com motor 1.8 e câmbio manual (e alguns pacotes de acessórios) pode sair por impressionantes R$ 132 mil. Quem quiser um Fiat Fiorino básico para trabalhar, e somente tendo como opcional a direção hidráulica, tem que desembolsar até R$ 90 mil. Quem aguenta?

Este comportamento faz sobrar até para quem quer apenas (ou só pode) um carro usado: no primeiro semestre, eles encareceram 13%. Os preços dos modelos 0km, devido a recessos extemporâneos de montadoras como a Chevrolet, subiram acima dos 4% neste mesmo período, segundo dados da Kelley Blue Book Brasil, empresa especializada na pesquisa de preços de veículos. 

Dados da Fipe mostram que, entre fevereiro de 2020 (mês anterior ao início da pandemia de Covid-19) e julho de 2021, os preços de carros 0km subiram 19,9%. Esse resultado semestral da variação dos 0km torna clara a pressão maior dos preços de modelos ainda fabricados pelas montadoras. 

Exemplo: os modelos 2022 passam dos 7,5% de acréscimo. Os 2021, que foram sendo substituídos ao longo do semestre, e mais desatualizados, como os 2020 e 2019, tiveram seus preços estabilizados nos primeiros seis meses do ano. 

Agosto sem gosto
Os seminovos e usados subiram mais do que os 0km, segundo a KBB Brasil. Os modelos até 2018 subiram 0,92% em relação a julho; os produzidos até 2011 ficaram 1,46% mais caros. 

As marcas que tiveram maiores reajustes foram Jeep (1,24%), Fiat (1,23%), Volkswagen (0,9%) e Renault (0,78%). Chevrolet, Citroën, Mercedes-Benz, Volvo e outros não elevaram seus preços. A picape Renault Oroch foi a que teve maior acréscimo, custando 2,03% a mais do que em julho. 

Carros usados
A Fenauto, que representa o setor de lojistas de veículos multimarcas por todo o Brasil, publicou relatório com os resultados das vendas de veículos seminovos e usados durante agosto. Em relação ao mesmo mês do ano passado, foi registrado um aumento de 13,8%. No comparativo acumulado do ano, a evolução também é positiva em 47,2% (ante ao mesmo período do ano passado). 

No Distrito Federal, o crescimento de janeiro a julho foi 46,2%, maior do que a média da região (33%). Isso significa quase 50 mil unidades a mais. 

Segundo o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos, a expectativa é que, até o final de 2021 o setor consiga manter um ritmo positivo – até em função da alta procura pelos seminovos e usados provocada pela dificuldade na compra de veículos 0km.

Financiamento
Enquanto isso, o comércio de veículos em agosto de 2021 somou 527 mil unidades, entre novos e usados, incluindo automóveis, motos e pesados (caminhões e ônibus). Isso representa um aumento de 4,6% se comparado a agosto de 2020, segundo dados da B3, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), a maior base privada do país. 

Mas os financiamentos de veículos usados registraram aumento de 9,7%, enquanto os de novos tiveram queda de 6,4%, se comparado ao mesmo mês do ano passado. No segmento de automóveis leves, a redução nas vendas a crédito de veículos novos foi ainda maior, queda de 19,7% em relação a agosto de 2020. 

Já o segmento de veículos pesados registrou 31,6% de aumento nos financiamentos, em comparação a agosto do ano passado, com relevante crescimento para os veículos novos – numa elevação de 55,1% no período. No acumulado do ano de 2021, até agosto, as vendas dos veículos financiados somaram 4 milhões unidades, entre novos e usados, o que representa crescimento de 20,4% em relação ao ano de 2020.


Crise?
A Caoa Chery, marca sino-brasileira fundada pelo recém-falecido Carlos Alberto de Oliveira Andrade, emplacou 4.717 unidades em agosto. Com isso, conquista, pela primeira vez, a oitava posição no ranking das montadoras nacionais de veículos de passeio, de acordo com a Fenabrave. 

Com crescimento de 25% em relação a julho e de 189% sobre agosto de 2020, a montadora teve participação de 3,94% no período, considerando apenas automóveis de passeio (como o Tiggo 3x, na foto acima). 

A marca segue na contramão da indústria que, novamente, registrou retração nas vendas. Em agosto, o mercado brasileiro vendeu pouco mais de 158 mil unidades, o que representa uma queda de 2,1% em relação ao mês anterior e 8,7% menor que agosto de 2020.

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