Primeira infância ganha espaço na agenda ESG de grandes empresas

Loures Consultoria / Divulgação

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A cada US$ 1 investido no período entre o nascimento e os cinco anos de idade, o retorno na idade adulta é de US$ 7, diz vencedor de prêmio Nobel

Em um momento em que o mercado se preocupa cada vez mais com questões ESG (ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês), iniciativas voltadas para a primeira infância têm ganhado espaço na agenda das grandes empresas.

A escolha do tema não é por acaso. Estudos de James Heckman, vencedor do prêmio Nobel de Economia, mostram que a cada US$ 1 investido no período entre o nascimento e os cinco anos de idade, o retorno na idade adulta é de US$ 7. O cálculo inclui quanto os países ganhariam com o melhor desempenho escolar e profissional, assim como a redução nos gastos com educação (menor reincidência, por exemplo), saúde e segurança pública (menor criminalidade).

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O professor Aloísio Araújo, da Escola Brasileira de Economia e Finanças da FGV, afirma que a importância de se investir em políticas públicas e projetos sociais focados na primeira infância é consenso entre os economistas. “Esse tipo de investimento é importante não só para o crescimento econômico, mas também para a redução da desigualdade. O investimento em educação nessa fase da vida tem uma taxa de retorno muito maior do que aquele que é feito mais tarde.”

Araújo afirma que os experimentos conduzidos por Heckman mostraram que crianças de três e quatro anos que receberam educação de qualidade desde cedo alcançaram uma situação econômica melhor ao longo da vida e influenciaram menos os índices de criminalidade.

Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, uma organização sem fins lucrativos que fomenta negócios de impacto social, diz ver um crescimento do interesse pela primeira infância, tanto pelos empreendedores, quanto por grandes fundações empresariais internacionais. “Vemos um movimento de algumas organizações que atuavam em vários setores e agora decidiram focar na primeira infância. Isso é muito positivo e totalmente necessário”, destaca.

Uma das empresas que têm se voltado para esse tema é a Danone, que desde 2016 realiza o projeto “Primeiros mil dias”, cujo objetivo é levar informações a profissionais de saúde e famílias sobre como os cuidados na fase inicial da vida das crianças têm um impacto positivo no futuro. Arthur Lorenzetti, diretor da Danone Nutricia, braço da companhia dedicado à nutrição, explica que o nome da iniciativa faz referência ao período que se inicia no primeiro dia de gestação e vai até os dois anos de idade.

“Fizemos uma série de parcerias nos últimos anos para divulgar esse conceito. Todo ano fazemos o ‘Curso de Imersão 1.000 Dias’, que envolve profissionais de saúde, pediatras, sociedades médicas e pesquisadores e oferece um espaço para se debater livremente o tema”, diz Lorenzetti. Em 2020, a sétima edição do evento foi realizada de forma online, por causa da pandemia do novo coronavírus.

O executivo ressalta que a iniciativa da Danone é feita de forma corporativa, desconectada dos produtos da companhia. “É uma causa que não tem que estar ligada a um ou outro produto. Pensamos que nós, como sociedade, podemos ajudar nessa área e impactar o futuro.”

A Femsa é outra grande empresa que tem atuado na primeira infância. Por meio de uma parceria de sua fundação com a organização filantrópica United Way, a empresa lançou neste ano o programa Crescer Aprendendo, cujo objetivo é apoiar pais e responsáveis na educação dos filhos pequenos, especialmente durante a pandemia da Covid-19.

A iniciativa reuniu 500 famílias de cinco cidades, em dois estados, por meio de grupos de WhatsApp, nos quais receberam conteúdos diários sobre desenvolvimento infantil. O projeto também ofereceu apoio de psicólogos e cartão-alimentação.

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