Procura por ingredientes para fazer tradicional caruru em Salvador aumenta no mês de São Cosme e Damião


Santos são oficialmente no dia 27 de setembro. Na Feira de São Joaquim, cento do quiabo está custando em média R$ 8, mas deve aumentar nos próximos dias. Previsão é de que preço aumente na próxima semana. Confira preços dos produtos usados na receita do tradicional Caruru
A procura pelos ingredientes para fazer o tradicional caruru em Salvador tem aumentado no mês de setembro, quando são realizados os festejos em homenagem a São Cosme e São Damião. Os santos são oficialmente celebrados na segunda-feira (27).
Na Feira de São Joaquim, um dos lugares mais procurados da capital baiana, o cento do quiabo está custando em média R$ 8, mas deve aumentar nos próximos dias. A previsão é de que o preço alcance os R$ 12 na próxima semana.
“Próximo do dia 27 sempre o quiabo aumenta. Quando chega próximo da data, o quiabo sempre aumenta”, disse o comerciante Antônio.
Na barraca de Antônio, por exemplo, o azeite custa entre R$ 12 e R$ 14. Já o camarão defumado está precificado em R$44.
Segundo o comerciante, uma pessoa que tem o interesse me fazer um caruru completo para 10 pessoas vai gastar cerca de R$ 100.
Costume
Dia de São Cosme e São Damião é celebrado em 27 de setembro
Egi Santana/G1
Como é tradicional no sincretismo baiano, no candomblé, São Cosme e São Damião são equiparados aos Ibejis, divindades africanas que também são gêmeas.
Pela forte presença negra na cultura baiana, a festa originalmente católica é mais uma que congrega às missas e aos cortejos elementos de raízes africanas, a exemplo da oferta do caruru de Ibeji, chamado popularmente de “caruru de São Cosme e Damião”, doado nas ruas geralmente como pagamento de promessas alcançadas.
São Cosme e São Damião nasceram na Arábia, no século III. Cristãos de família abastada, os dois irmãos gêmeos estudaram medicina e trataram os enfermos da região da Cilícia, onde hoje está a Turquia.
Segundo o padre Josevaldo Nascimento, da paróquia São Cosme São Damião, na Liberdade, única de Salvador, os dois irmãos ficaram conhecidos na época por conta de suas habilidades em tratar as doenças, tanto com a medicina quanto com a “palavra de Deus”.
Por conta do sincretismo na Bahia, foi iniciada a tradição de oferecer caruru no Dia de São Cosme e São Damião
Denise Pithon/Arquivo pessoal
O religioso conta que eles começaram a ganhar reconhecimento na região, entre os cristãos e entre os pagãos, o que causou preocupação por parte do imperador da época, que era romano e cultuava deuses não cristãos.
Na época, os irmãos Cosme e Damião foram levados ao imperador, que os obrigou a adorar os deuses pagãos. Eles se recusaram, por serem cristãos e difundirem a palavra do Senhor, e foram martirizados por terem representado um perigo aos pagãos.
Por causa do episódio, a fama dos irmãos já estava tão grande que a eles foram atribuídos milagres de pessoas curadas de enfermidades, o que fez, no século VI, quando já canonizados, que a igreja construísse a basílica de Cosme e Damião, próxima ao Coliseu de Roma. No Brasil, o culto aos santos veio com os portugueses durante a colonização.
Segundo o padre, o sincretismo começou ainda na época da colonização, quando os escravos eram obrigados a seguir a religião católica. Eles olhavam para as imagens de santos católicos, mas, na verdade, estavam cultuando seus santos e orixás.
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