Queiroga critica “babel vacinal”

Depois de dizer que a falta de vacinas que já afeta alguns estados é uma “narrativa”, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou ontem o que chamou de “torre de babel” nos critérios de aplicação de vacinas em todo o país. Segundo o ministro, os gestores de saúde deveriam utilizar vacinas da Pfizer como segunda dose para quem tomou AstraZeneca apenas em casos excepcionais. “Se, porventura, a AstraZeneca, por conta de questões operacionais, faltar, eventualmente pode se usar a intercambialidade. Agora, o critério não pode ser faltou um dia e já troca. Então fica difícil. Como conseguimos conduzir uma campanha de vacinação com essa espécie de torre de babel vacinal? A nossa campanha vai muito bem”,  minimizou Queiroga, que ainda falou em redução do intervalo entre as doses da AstraZeneca.
 
O estado de São Paulo tem cerca de 1 milhão de pessoas que não receberam a segunda dose do imunizante da AstraZeneca por falta de imunizantes e, por isso, decidiu aplicar a partir de ontem a a Pfizer para evitar o atraso na campanha de vacinação. As vacinas já acabaram também em cidades do Rio de Janeiro, Maranhão e Pernambuco. Parte dos municípios já anunciou que vai adotar o esquema heterólogo. Segundo a Fiocruz, um novo lote de AstraZeneca deve ser entregue ao Ministério da Saúde hoje. A pasta não informou quando as vacinas vão chegar aos estados nem quais unidades da Federação vão receber as doses. A fundação e o ministério ainda não disseram quantas doses serão distribuídas.
 
Queiroga ainda minimizou o surgimento de variantes do novo coronavírus. “A cada dia a gente constata que não será problema tão grande como temíamos”, afirmou sobre a variante Delta. “Variante Mu é de importância, não ainda de preocupação”. Em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro, repetiu que o fim do uso obrigatório de máscaras deve ser anunciado em breve. “Estamos bem perto de chegar a isso no Brasil. Mas é preciso que nossa campanha avance mais”, ponderou.
INTERVALO  Apesar da dificuldade em se encontrar vacinas de AstraZeneca em todo o país, o ministro voltou a afirmar que o intervalo entre doses do imunizante será diminuído de 12 para 8 semanas a partir do próximo dia 15. A redução do intervalo da Pfizer a partir de setembro já havia sido anunciada por Queiroga no mês passado. Já a Coronavac tem intervalo menor, de 28 dias, e a vacina da Janssen é de dose única. Apesar das mudanças nos intervalos, os critérios adotados ainda diferem das recomendações das fabricantes. A Pfizer recomenda intervalo de 21 dias entre as doses e a AstraZeneca, de 12 semanas, como acontece hoje.
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