Reunião do Conselho da República, anunciada por Bolsonaro, não ocorre

A Constituição prevê a convocação do Conselho da República apenas em casos de intervenção federal, Estado de Defesa e de Sítio. Houve apenas uma reunião com ministros.
Bolsonaro não convocou o Conselho da República, como disse na manifestação
No discurso de terça-feira (7) em Brasília, o presidente Bolsonaro provocou espanto ao anunciar que faria uma reunião do Conselho da República nesta quarta-feira (8), mas ela não ocorreu.
A Constituição prevê a convocação do Conselho da República apenas em casos de intervenção federal, Estado de Defesa e de Sítio. O colegiado reúne o vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado, líderes da maioria e da minoria no Congresso, o ministro da Justiça e outros seis integrantes, nomeados pelo Executivo e pelo Legislativo.
Os presidentes da Câmara e do Senado informaram na terça-feira mesmo que nem sabiam da reunião. Nem os ministros e assessores de Bolsonaro. Pegos de surpresa, eles passaram o resto do feriado buscando consertar o estrago, dizendo que o presidente havia confundido Conselho da República com Conselho de Governo, que é formado por ministros do governo e que apenas assessora o presidente.
O que seria reunião do Conselho da República, nesta quarta-feira, virou apenas uma reunião com ministros. Segundo assessores do Planalto, só Marcelo Queiroga, da Saúde, e Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, não participaram. Mas nada foi dito publicamente sobre a reunião, que sequer entrou oficialmente na agenda de Bolsonaro.
Ainda segundo interlocutores do Planalto ouvidos pelo Jornal Nacional, a reunião serviu para fazer um balanço das manifestações. A foto com grande número de apoiadores foi comemorada, mas a leitura de ministros, como o da Casa Civil, Ciro Nogueira, é de que o momento é preocupante, a pauta no Congresso está travada e é necessário garantir governabilidade.
Por isso mesmo, desde terça-feira, Ciro Nogueira tem procurado amortecer os impactos das graves declarações feitas por Bolsonaro. Nesta quarta-feira, logo depois do discurso do presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, Ciro entrou em campo buscando canais de diálogo com ministros da Corte.
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