Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos têm sessão de alívio nesta 6ª; prefixados recuam e oferecem retorno de 10,9%

SÃO PAULO – Após duas sessões de forte volatilidade, a sexta-feira (10) seguiu com tom mais positivo no mercado com os dados de vendas no comércio varejista que subiram acima do esperado em julho, além dos desdobramentos da nota divulgada ontem (9) pelo presidente Jair Bolsonaro, numa tentativa de apaziguar os ânimos com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse contexto, a maioria dos títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto opera com estabilidade nas taxas no início das negociações desta sexta-feira (10). Apenas os papéis prefixados apresentam queda nos prêmios.

O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por exemplo, recuava de 10,92%, na sessão anterior, para 10,84%, na primeira atualização da manhã. No mesmo horário, o prêmio do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,25%, contra 10,34% um dia antes. No papel com vencimento em 2024, a remuneração era de 9,97%, contra 10,02% da sessão anterior.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais se mantinha estável em 4,84%, mesmo percentual visto na quinta-feira (9) à tarde. Da mesma forma, o Tesouro IPCA com vencimento em 2030 e pagamento de juros semestrais oferecia retorno real de 4,66%, em linha com os 4,65% do dia anterior.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (09): 

Fonte: Tesouro Direto

Varejo

Na cena local, o foco do mercado está nos dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as vendas do comércio varejista, que subiram 1,2% em julho na comparação com junho.

Com isso, o setor atingiu patamar recorde na série histórica iniciada no ano 2000. No ano, o varejo acumula crescimento de 6,6% e nos últimos doze meses, cresceu 5,9%.

O número ficou acima do esperado. Segundo consenso Refinitiv, a expectativa era de alta de 0,7% das vendas em julho na comparação com junho e alta de 3,45% frente julho de 2020.

Nota de Bolsonaro e cenário fiscal

Já o destaque na frente política está nos desdobramentos práticos da nota enviada ontem (9) pelo presidente Jair Bolsonaro. Para analistas ouvidos pelo InfoMoney, o recuo do presidente pode até dar um alívio para a discussão de pautas relevantes pendentes de solução na política, mas tende a durar pouco.

Na avaliação de João Villaverde, consultor da Medley Global Advisors, a dúvida é apenas quando ocorrerá um próximo evento que provocará nova crise institucional. Ele acredita que o movimento de Bolsonaro tem um componente estratégico, em um contexto em que o risco de um processo de impeachment voltava a crescer com a articulação de partidos de “centro” no Congresso Nacional.

Já a equipe de análise da XP Investimentos chama atenção para os impactos da crise política sobre a discussão dos precatórios – dívidas do poder público por decisões judiciais definitivas.

“A nota também busca oferecer ao Supremo espaço para uma nova leitura do momento, que permita eventualmente reconsiderar a ‘saída CNJ’ para a questão dos precatórios. Após o recuo, qualquer passo de Moraes em direção a apoiadores do presidente poderá ser entendido como uma provocação do STF, o que coloca Bolsonaro em uma posição menos desconfortável”, afirmaram.

Sylvio Castro, fundador e CIO da Grimper Capital, alerta ainda que a reação mais positiva do mercado financeiro vista na véspera não significa que os agentes econômicos compraram uma mudança estrutural nas perspectivas do país.

“O mercado tirou do preço um pouco dessa incerteza com relação à completa incapacidade de os Poderes se articularem para, pelo menos, manter um nível de equilíbrio para o país até o término do governo Bolsonaro”, disse o gestor.

Após a divulgação da nota, Bolsonaro participou ontem à noite de sua live semanal. Na ocasião, o mandatário disse que foi cobrado a manter os ataques ao STF, e pediu “calma”. “Alguns do meu lado aqui vieram até com o discurso pronto: ‘Tem que reagir, tem que bater’. Calma, amanhã a gente fala, deixa acalmar para amanhã”.

Já sobre os protestos dos caminhoneiros, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou na madrugada desta sexta-feira (10) que liberou 65 pontos de bloqueio e manifestações das rodovias federais do país. Esses pontos incluem bloqueio parcial, bloqueio total e concentrações de manifestantes.

Cena internacional

Um dos destaques da cena externa está na notícia de que os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da China, Xi Jinping, tiveram uma conversa por telefone pela primeira vez desde fevereiro.

Biden e Xi discutiram a necessidade de evitar que a competição entre as duas maiores economias do mundo vire um conflito, disse uma autoridade dos EUA. Segundo essa fonte, o tom da conversa foi “familiar” e “franco”, e a mídia estatal chinesa também descreveu a reunião entre os chefes de estado como “uma conversa ampla, franca, profunda e estratégica”.

Já na zona do euro, investidores monitoram dados do Índice de Preços ao Consumidor harmonizado final da Alemanha, que teve alta de 0,1% em agosto na comparação com o mês imediatamente anterior. No acumulado do ano, a alta é de 3,4%.

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