Theatro Municipal do Rio: como a disciplina do balé se adaptou à pandemia

Rio de Janeiro – O sonho da vida de Mariana Fialho, de 19 anos, sempre foi dançar sob os holofotes, diante do público. Até a chegada da pandemia com a consequente interrupção da rotina de ensaios e apresentações.

Ela se manteve isolada, em casa. Passou a ensaiar diante da câmera do computador sob o comando, à distância, de seus professores na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, que funciona no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

“Com a pandemia, passamos a ensaiar sozinhos, em casa, sem a estrutura necessária. O piso não é o adequado, o espaço para a execução dos movimentos é menor, limitando os treinos. Mas dançar também é um remédio. Manter o corpo em movimento foi uma necessidade, tanto para manter o condicionamento físico, quanto para a saúde mental”, conta a Mariana Fialho, que dança desde os cinco anos.


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A interrupção dos planos também afetou a vida da bailarina Victória Veríssimo, de 22 anos. Cansada dos ensaios em casa, a jovem não vê a hora de reencontrar a plateia. “Foi um baque ter que parar de ensaiar no Theatro. Passei a usar a janela como barra, a esbarrar nos móveis de casa durante os giros. Mas procurei focar no treinamento para manter meu condicionamento físico”, conta.

Nos últimos seis meses, Mariana e Victória voltaram aos treinos no Municipal. Foi um retorno que exigiu ainda mais disciplina das bailarinas, já acostumadas com a rotina pautada pela dedicação à dança. No novo momento, elas passaram a seguir também as regras sanitárias, como o uso de máscaras, álcool em gel e, quando possível, com distanciamento.


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“Estamos seguindo os protocolos, mas não há dança sem contato. Não existe “pas de deux” com distanciamento. Dança é toque. É corpo a corpo. Por isso, cobramos a responsabilidade dos alunos para além da dança”, diz Hélio Bejani, Diretor da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e Regente do Balllet do Theatro Municipal do Rio. Ele se refere à importância de evitar uma exposição desnecessária fora dos treinos em um período ainda de alta infecção por Covid na cidade do Rio. “Cada um dos bailarinos precisa manter a disciplina sabendo que um descuido pode afetar toda a equipe”.

O maior risco para o bailarino Lucas Monteiro, de 18 anos, é o transporte público. Ele voltou a se deslocar do bairro da Penha, onde mora, para o Municipal, no centro do Rio. “Com essa volta, tudo fica mais fácil, desde a avaliação e correção do professor até o espaço mais amplo e ambiente propício para aula”, comemora.

“A disciplina ensinada aqui extrapola os palcos e é aquilo que a sociedade como um todo deveria reproduzir. A dança é coletiva, como viver em sociedade. E isso se reflete nos números”, diz Hélio Bejani.

Segundo o diretor da Maria Olenewa, desde março, apenas 10 alunos precisaram ser afastados em razão de sintomas da Covid em um universo de mais de 250 pessoas que fazem parte da equipe.

A retomada das aulas estão sendo gradativas. A escola ainda mantém um suporte online para quem ainda não retornou às aulas presenciais. “Fomos orientados e recebemos vistoria de profissionais da Fiocruz. Ninguém entra no Theatro com a máscara que usou na rua. É preciso trocar na entrada”, conta Hélio Bejani.

A expectativa de todos é pela volta das apresentações no palco principal do Municipal. Mariana menciona a emoção que sentiu na primeira aula presencial nesta pandemia: “Só de dançar para os colegas de classe, depois de meses dançando pra tela do computador, com momentos de queda da internet, de conexão ruim. Pude experimentar novamente a sensação de receber um aplauso”.

Victória aguarda pela formatura da escola de dança prevista para o fim deste ano. Ela espera que seus passos possam significar um remédio para a mente da plateia que, em algum momento, vai retornar ao Municipal. “É preciso lembrar que a arte é um meio de a gente relaxar, superar e esquecer os problemas por alguns minutos que sejam. O desejo diário é pelo reencontro com os aplausos do público”.

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