Um em cada cinco adolescentes no DF já usou drogas ilícitas; capital lidera número no país


Dados são de pesquisa do IBGE, referentes a jovens entre 13 e 17 anos. Brasília também tem maior número de menores que já usaram cigarro eletrônico; maioria já consumiu bebidas alcoólicas. Homem segura cigarro de maconha
Ahmed Zayan/Unsplash
O Distrito Federal é a unidade da federação com maior número de adolescentes que já usaram drogas ilícitas: 21%. Ou seja, um a cada cinco jovens de 13 a 17 anos tiveram contato com entorpecentes. A taxa é oito pontos percentuais que a média nacional, de 13%.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 2019, e divulgada nesta sexta-feira (10). O levantamento aponta ainda que a capital lidera o número de adolescentes que já usaram cigarro eletrônico e que a maioria deles já tomou bebida alcoólica.
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Especialistas alertam que drogas podem atrapalhar o desenvolvimento de jovens e causar dependência. A Polícia Civil do DF tem uma cartilha para ajudar pais a identificaram e lidarem com filhos usuários de entorpecentes (veja mais abaixo).
Perfil dos jovens
A pesquisa tem o objetivo de avaliar a saúde dos jovens em idade escolar e avaliou estudantes entre o 7º ano do ensino fundamental e o 3º ano do ensino médio, em escolas públicas e privadas do país. Segundo o IBGE, em 2019, a população nessa faixa etária e matriculada em unidades de ensino no DF era de 187.279.
Do total, três em cada quatro estudantes estudavam em escolas públicas. As meninas eram maioria (51,8%). Já com relação à cor ou raça, a maior parte se declarou parda (46,4%). Em seguida, vieram brancos (31,8%), pretos (13,4%), amarelos (4,6%), indígenas (3,6%), e 0,2% não responderam.
Drogas ilícitas, álcool e cigarro
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Segundo a PeNSE, 7,5% dos jovens questionados disse que usou drogas nos 30 dias anteriores à pesquisa. A taxa também é maior que a média nacional (5,1%) e a segunda mais alta no país, atrás apenas de São Paulo (7,6%). Desses, 6,6% afirmaram utilização de maconha e 0,4%, de crack.
Os pesquisadores também questionaram os estudantes se alguma vez na vida já haviam tomado uma dose de bebida alcoólica. Para fins do estudo, uma dose corresponde a uma lata ou garrafa long neck de cerveja ou vodca-ice, ou um copo de chope, ou uma taça de vinho, ou uma dose de cachaça/pinga, vodca, uísque etc.
De acordo com o levantamento, 67,4% disseram já ter tomado. O índice foi maior entre meninas (69,2%) e alunos da rede pública (69,7%). Na rede privada, 60,4% dos respondentes disse ter tido contato com bebidas alcoólicas.
A pesquisa aponta ainda que 38,6% dos adolescentes disseram ter bebido a primeira dose antes dos 14 anos, e 52,3% informaram já terem ficado embriagados. Além disso, 31% tinham consumido álcool nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Quanto ao local e forma de consumo, os resultados mais frequentes foram os seguintes:
31,1% compraram a bebida em loja, mercado, bar, botequim ou padaria;
23,2% beberam em festas;
19,9% conseguiram com amigos.
Os pesquisadores também questionaram sobre o uso de bebidas alcoólicas pelos pais dos estudantes. Segundo o levantamento, 62,7% dos alunos disseram que os pais consome álcool. A frequência foi maior entre os que estudam na rede privada (72,7%). Nas escolas públicas, o índice foi de 59,5%.
Ainda de acordo com o levantamento, 27,3% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam provado cigarro. Quanto ao uso de narguilé, o índice foi maior, de 50,6%. Além disso, a capital lidera o uso de cigarro eletrônico por adolescentes. O índice no DF foi de 30,8%.
Como identificar?
A íntegra da cartilha da Polícia Civil sobre uso de drogas está disponível no site. Segundo o documento, entre os fatores que podem indicar o uso de entorpecentes estão:
Irritabilidade;
Agressividade;
Falta de motivação para os estudos e/ou trabalho;
Troca do dia pela noite;
Insônia;
Falta de motivação para atividades de lazer;
Vermelhidão nos olhos;
Desaparecimento de objetos ou dinheiro dentro de casa.
A corporação afirma que “a presença de vários desses sinais por um tempo relativamente prolongado (em média a partir de um mês) pode significar que algum problema está acontecendo; o fim de um relacionamento amoroso, uma doença e/ou o uso de drogas”.
Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
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