Usina de Furnas, em Minas, opera com menos de um terço da capacidade

Baixa do nível do Lago de Furnas afeta geração de energia elétrica da usina Hidrelétrica de Furnas opera com menos de um terço da capacidade
Em Minas Gerais, a equipe do Jornal Nacional sobrevoou o reservatório da hidrelétrica de Furnas, que é uma das mais importantes do Brasil. A usina opera hoje com menos de um terço da capacidade.
As praias do chamado “mar de Minas” estão enormes, mas isso não é uma boa notícia. O Lago de Furnas, no sul do estado, está com grandes faixas de terra nas margens.
Os ranchos que ficavam à beira d’água agora parecem casas no alto da montanha. Cachoeiras que ajudavam a abastecer o lago viraram filetes de água, e um canal que levaria água à represa também está seco.
“Não sei daqui mais para frente qual futuro vai ser daqui se formos olhar bem mesmo. Cada vez mais, cada ano que passa, está baixando”, diz Alexandre Carlos Castagini, instalador de outdoor
Nos anos 1980, seu Eli trabalhou como topógrafo nas medições do Lago de Furnas. Está acostumado a ver o nível da represa subir e descer. Ele conta que viu o reservatório cheio pela última vez em 2012.
Repórter: Quando o reservatório está no nível máximo, onde chega?
Eli Damasceno Passos: Aqui onde nós estamos.
Repórter: Quer dizer, aqui eu estaria com o pé na água?
Eli: Aqui eu já estou com pé dentro da água.
A chuva na região está abaixo da média histórica em praticamente todos os meses de 2021.
O reservatório já perdeu quatro de cada cinco litros de água do volume útil. Isso atrapalha a agricultura, o turismo e afeta a economia dos 34 municípios que são banhados pelo Lago de Furnas. Mas o principal problema é que a baixa do nível da represa afeta a capacidade de geração de energia das usinas. Na usina de Furnas, só duas das oito turbinas estavam em funcionamento quando a equipe do JN foi ao local.
Com apenas 15% do volume de água, a usina de Furnas está produzindo menos de um terço da capacidade de geração de energia elétrica. E quando segura a água acima das turbinas, a empresa também afeta a geração das usinas Mascarenhas de Moraes, Luiz Carlos Barreto de Carvalho, Porto Colômbia e Marimbondo, que também ficam na bacia do Rio Grande, entre Minas Gerais e São Paulo.
Hoje, as usinas termelétricas representam 27% do total da geração do país. Mas o governo não tem muita margem para aumentar a produção de energia, porque todas as térmicas disponíveis já foram acionadas.
“Estão praticamente no limite, sabe? Tem térmicas em manutenção, tem térmicas que ainda estão entrando em operação, agora é que estão pegando a capacidade plena. Mas, de qualquer maneira, está entrando a capacidade máxima, inclusive de geração térmica a óleo diesel, que nunca geraram tanto até hoje”, diz o presidente da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), Xisto Vieira Filho.
Especialistas não descartam o risco de racionamento.
“Eventualmente, a gente pode ter apagões nesses horários de maior demanda e o que pode acontecer nesse caso é que as atividades econômicas sejam prejudicadas como um todo. A falta de energia é sempre um problema muito complexo de ser resolvido e cuja extensão é muito séria e se alastra por toda atividade econômica”, explica Francisco Eustáquio oliveira e Silva, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos da Escola de Engenharia da UFMG.
O professor de Planejamento Energético Carlos Barreira Martinez acredita que o cenário é resultado de escolhas erradas do governo.
“No começo do ano de 2021, já sabedores que nós estamos de um período seco, nós deveríamos ter ligado as térmicas para manter os reservatórios altos. E nós não fizemos isso. Isso foi falado por técnicos do setor elétrico, por universidades, isso foi amplamente discutido, e foi uma opção. Os indícios e as ações anteriores mostram uma inércia muito grande para se tomar uma atitude”, explica o professor de pós-graduação da UFMG.
O Ministério de Minas e Energia declarou que o sistema elétrico tem novas linhas de transmissão para enviar energia do Nordeste para as demais regiões; que, desde outubro do ano passado, tem acionado termelétricas; que mais três dessas usinas vão entrar em operação até o mês que vem; e que está estimulando a redução voluntária do consumo de energia.
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