Uso do Sotrovimabe contra Covid-19 é ‘positivo’, mas preço elevado dificulta tratamento, diz infectologista

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira, 8, a liberação do medicamento contra a Covid-19

Anvisa autoriza uso emergencial do anticorpo Sotrovimabe | Foto: divulgação

O uso do Sotrovimabe, contra a Covid-19, que é um anticorpo monoclonal, fabricado pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) é visto como positivo pelo médico infectologista Marcelo Daher, porém, questões relacionadas ao alto preço e comercialização do medicamento podem dificultar o tratamento, principalmente, em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira, 8, o uso do medicamento de dose única, que possui a proteína espicular S do SARS-CoV-2 como alvo, prevenindo assim a entrada do vírus e a infecção de células humanas.

“Esse medicamento, assim como outros, que já foram liberados é um anticorpo monoclonal que é uma proteína que vai se ligar a partícula do vírus, impedindo que o mesmo se ligue a célula. Ele vai competir com os receptores das células e isso faz com que o vírus tenha grande dificuldade para infectar as células humanas. Isso é bom. Quando faço esses anticorpos prontos e uso no paciente, tende a ter uma gravidade menor, porque a carga viral tende a ser menor. Quando eu tenho a ligação desses anticorpos ao vírus, ele perde a capacidade de infectar a células e isso é muito positivo”, explica o médico infectologista, Marcelo Daher. 

Em contrapartida, apesar da aprovação pela Anvisa, existem alguns problemas com esse medicamento. “A maioria desses anticorpos monoclonais que foram aprovados para uso no Brasil não estão disponíveis ainda para comercialização. Tem o registro aprovado na Anvisa, mas não foi aprovado para ser comercializado. Temos dificuldades de encontrar esses medicamentos. Outra questão é que esses medicamentos são injetáveis, o paciente precisa estar internado e não pode estar grave. A janela terapêutica é curta e o preço é alto, porque são medicamentos muito caros para utilização”, pontua o infectologista.

Outra questão levantada pelo médico é relacionada a liberação para uso em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).”Temos liberação de medicamentos que poderiam ser utilizados e que poderiam estar somando no tratamento, mas infelizmente o valor impede e um outro ponto importante é que não foi aprovado para utilização SUS”, avalia.

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