Vendas do comércio varejista batem recorde em julho

Segundo o IBGE, o volume de vendas cresceu 1,2% em relação a junho, com cinco das oito atividades pesquisadas em alta. No ano, mesmo com a inflação elevada e o desemprego, o comércio já acumula alta de 6,6%.  Vendas do comércio varejista batem recorde em julho
As vendas do comércio varejista no Brasil bateram recorde no mês de julho. Pelas ruas, antes vazias, agora tem gente de olho nas vitrines.
Depois de muito tempo, a estudante Camile Vitória Ramos decidiu renovar o figurino.
“Na pandemia, não saí tanto e agora decidi dar umas voltinhas com o namorado, falei: ‘Vou comprar’”, contou.    
Caminhar com sacolas nos braços tem se tornado uma cena mais comum, comprovada pelos números do IBGE. Desde abril, o comércio registra aumentos seguidos nas vendas. 
Em julho, o volume de vendas no varejo cresceu 1,2% em relação a junho e chegou a um patamar recorde. 
No ano, mesmo com a inflação elevada e o desemprego, o comércio já acumula alta de 6,6%. 
“Acho que tem um ponto aqui importante que está por trás desses números muito fortes que são os estímulos fiscais e monetários. Fiscais, gastos mesmo, auxílio emergencial; e monetário, taxa de juros, por exemplo, colocada pelo Banco Central lá atrás em patamares historicamente baixos, produzindo esse efeito no consumo”, explicou Alessandra Ribeiro, disse Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria. 
Mas não foi só isso. Apesar de muita gente ter passado a fazer compras online durante a pandemia, o comércio ainda depende muito do movimento de pessoas que passam em frente à loja, olham o produto de perto, experimentam e até decidem comprar. E a circulação de gente nas ruas vem aumentando com a segurança que chega com o avanço da vacinação. 
“Embora a gente esteja num processo de inflação alta, com taxas de juros em alta, a movimentação, a circulação de consumidores tem sido predominante, tem sido fundamental para essa recuperação do varejo”, afirmou o economista Fabio Bentes.   
Cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram cresceram em julho. Artigos de uso pessoal e doméstico, categoria – que inclui óticas, lojas de brinquedos, artigos esportivos, joias e bijuterias, por exemplo – e vestuário e calçados foram as maiores altas. Mas algumas atividades não conseguiram recuperar os níveis pré-pandemia, como combustíveis. 
Economistas lembram que o consumo, principalmente da população de renda mais baixa, já começou a sentir os efeitos do aumento da taxa de juros e da inflação em alta. 
“A inflação é um limitador. A gente observa pelos números mais recentes que isso tem um efeito importante na cesta de consumo”, pontuou Alessandra.
O dinheiro não está sobrando, não, mas a contadora Beatriz Lopes tinha um motivo especial para ir às compras.
“Eu comecei a trabalhar. Não estava trabalhando, estava difícil, e agora comecei a trabalhar e vim fazer uma comprinha hoje”, revelou.  
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